O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou em 30 de julho a abertura de um segundo inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A PF suspeita de tráfico de influência envolvendo o empresário Cléber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT.

A suspeita é que Ribas tenha custeado viagens de Lulinha em troca de contratos com a Dataprev, estatal de tecnologia do governo federal. Como indício, a PF aponta que os dois compartilharam o mesmo localizador de voo em 15 de dezembro de 2024, em viagem a Foz do Iguaçu. A 3Structure IT, empresa de Ribas, tem R$ 55,7 milhões em contratos ativos com o governo federal — entre eles, dois com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (R$ 19,25 milhões e R$ 14,45 milhões) e um com o Exército (R$ 21,83 milhões) — e já recebeu R$ 46,9 milhões desde 2023.

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, chamou o inquérito de "fishing expedition" e disse que "não há fato objetivo que justifique a abertura deste inquérito". Já o empresário Cléber Ribas, representado pela advogada Pollyana Soares, sustenta que todos os contratos da empresa seguiram os trâmites legais de licitação.

De onde surgiu a investigação?

O inquérito é o segundo aberto contra Lulinha e tem origem em uma investigação sobre fraudes no INSS. Policiais federais chamam de "encontro fortuito" a descoberta acidental de indícios de outros supostos crimes durante apurações que não tinham relação direta com o filho do presidente.