A Receita Federal gerou em 31 de julho o primeiro CNPJ alfanumérico do país — o número que passa a misturar letras e algarismos na identificação de empresas. A inscrição inaugural, 00.000.000/E08G-12, é de uma filial do Banco do Brasil S.A.

O motivo da mudança é aritmético: cerca de 69 milhões das quase 100 milhões de combinações possíveis no modelo exclusivamente numérico já foram usadas. Ao admitir letras, o cadastro amplia o número de combinações disponíveis e garante a continuidade da emissão de novas inscrições nos próximos anos.

Como fica o número

O CNPJ continua com 14 caracteres. As oito primeiras posições, que identificam a empresa, e as quatro seguintes, que identificam o estabelecimento ou a filial, passam a aceitar letras e números. Já os dois últimos dígitos, os verificadores, seguem exclusivamente numéricos.

Quem já tem CNPJ não precisa fazer nada. Segundo a Receita Federal, "a adoção do CNPJ alfanumérico não altera os direitos, obrigações ou a situação cadastral das pessoas jurídicas já existentes" e "os CNPJs emitidos anteriormente permanecem válidos e não precisam ser substituídos". Os dois formatos vão conviver e ser aceitos por órgãos públicos, bancos e juntas comerciais.

O que muda para empresas e sistemas

A recomendação do órgão é que empresas e desenvolvedores atualizem seus programas para aceitar letras nos campos de CNPJ — ou seja, que os sistemas estejam preparados para receber, armazenar, validar e processar códigos alfanuméricos.

A emissão será gradual ao longo de 2026, com poucas empresas nesse período inicial. Novas inscrições ainda poderão sair apenas com números enquanto o limite de possibilidades numéricas não se esgotar. Segundo a Receita, a iniciativa "assegura a continuidade e a sustentabilidade do CNPJ no longo prazo" e prepara o cadastro para a expansão da atividade econômica e para as mudanças trazidas pela Reforma Tributária do Consumo.