A Defesa Civil do Rio Grande do Sul monitora a barragem Santa Lúcia, entre Ilópolis e Putinga, e vai alertar moradores por mensagem no celular se o nível da água atingir cotas de risco. Uma vistoria técnica da Sema, feita após a sequência de chuvas, apontou que as condições da estrutura estão sensíveis.

O comunicado do órgão estadual, publicado no sábado (1º) às 22h31, afirma que "as condições da barragens são sensíveis e medidas de reparos estão sendo realizadas". A vistoria foi conduzida pela Divisão de Segurança de Barragens e Emergências da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), em parceria com a Defesa Civil do Estado, e serviu para alinhar com o município as medidas emergenciais caso a água suba.

Caso o nível atinja cotas consideradas de risco, o aviso será enviado pelo sistema Cell Broadcast, que dispara mensagens de emergência diretamente para os celulares que estiverem na área afetada. A Defesa Civil pede que a população esteja "preparados para eventual evacuação" se a situação da barragem exigir novas medidas de segurança. Até o comunicado de sábado, o órgão não relatava retirada de moradores em andamento: as providências descritas são preventivas.

Rios seguem acima da cota de inundação

A barragem não é o único ponto de atenção no Estado. No sábado (1º), a Defesa Civil emitiu dois alertas de inundação com risco classificado como muito alto: um para o rio Uruguai em São Borja, às 17h05, e outro para o rio Jacuí em Cachoeira do Sul, às 11h14. Nos dois casos, a orientação oficial é a mesma: "Evite áreas inundáveis. Emergência 190/193."

O prognóstico hidrológico do Centro de Monitoramento da Defesa Civil já havia listado trechos em risco nos rios Jacuí (de Dona Francisca a Cachoeira do Sul), Taquari (de Encantado a Taquari), Caí (de São Sebastião do Caí a Montenegro), Sinos (de Campo Bom a São Leopoldo) e Gravataí (de Gravataí a Cachoeirinha), além de risco de "enxurradas em pequenos arroios e rios (sem monitoramento) e alagamentos em áreas urbanas".

Em Porto Alegre, o Guaíba entrou no patamar de atenção na quarta-feira (29), ao atingir 1,90 metro no ponto do Cais Mauá C6, e marcava 2,54 metros na última medição informada pelo Centro de Monitoramento da Defesa Civil estadual na sexta-feira (31). A cota de alerta é de 2,60 metros; ultrapassada, são esperados impactos no bairro Arquipélago e na orla sul da capital. O aviso hidrológico foi elevado ao nível laranja, válido das 15h de quinta-feira às 18h desta segunda-feira.

Levantamento da Defesa Civil Nacional citado neste domingo (2) aponta 360 cidades afetadas, 395 pessoas desabrigadas, 914 desalojadas e 8 feridas. Segundo o levantamento, não houve registro de mortes em decorrência das chuvas dos últimos dias.

O que os moradores de Putinga devem fazer?

A recomendação da Defesa Civil é manter contato com a Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil pelo telefone (51) 99125-5399 em caso de chuva persistente, e seguir apenas os canais oficiais de informação. Para emergências, os números são 190 e 193.

Desde 28 de julho, o Estado opera quatro gabinetes regionalizados de gerenciamento de desastres, que reúnem "representantes de órgãos envolvidos na resposta a situações de emergência": em Santa Maria, no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública; em Lajeado, na Univates; em Eldorado do Sul, no auditório da Dinon Logística; e em São Sebastião do Caí, na Secretaria Municipal de Obras Públicas. Cabe a eles reunir informações sobre municípios e rios, avaliar a necessidade de retirada de pessoas de áreas de risco, organizar abrigos e encaminhar equipamentos.