Na última terça-feira (9), o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) decidiu anular a falência da Teka Têxtil, uma importante empresa do setor têxtil localizada em Blumenau. Com uma votação unânime de 3 a 0, a 2ª Câmara de Direito Comercial optou por manter a recuperação judicial da companhia, que já dura quase 14 anos.

Decisão do Tribunal e Consequências

O TJSC baseou sua decisão em um laudo da Grant Thornton, apresentado no final de 2025, que confirmou a viabilidade operacional e financeira da Teka para continuar suas atividades. Como resultado imediato, a decisão deve liberar R$ 18 milhões que estavam retidos em contas judiciais, permitindo o pagamento de direitos trabalhistas.

Histórico da Teka

Fundada em 1926, a Teka é reconhecida como uma das principais fabricantes de artigos de cama, mesa e banho na América Latina. A empresa havia solicitado recuperação judicial em outubro de 2012, devido a uma dívida de R$ 780 milhões, enfrentando um processo repleto de complicações, incluindo mudanças na administração e disputas sobre a transparência das suas finanças.

Perspectivas Futuras

Rogério Marques, CEO da Teka, expressou otimismo após a decisão do tribunal, afirmando que ela valida a crença na viabilidade da empresa e indica que a falência foi uma decisão precipitada. Ele também destacou que a assembleia de credores, que ainda não ocorreu, deve ser convocada em breve para discutir o plano de recuperação.

Dívidas e Negociações

Marques revelou que a dívida atual da Teka está em torno de R$ 500 milhões, um valor significativamente menor do que o registrado anteriormente. Ele destacou avanços nas negociações, como a redução de débitos tributários federais de R$ 2,3 bilhões para R$ 226 milhões, além de diminuições nas dívidas de ICMS em São Paulo e Santa Catarina.

Expectativas de Crescimento

Apesar do tumultuado histórico de recuperação, a Teka alcançou um faturamento de R$ 476 milhões em 2025 e projeta um crescimento de 15% para 2026, com receitas estimadas em mais de R$ 550 milhões. O grupo também está investindo na Teka Trading, uma nova unidade de negócios que não está sob recuperação judicial.