O governo brasileiro anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o caso das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos à Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão norte-americana estabelece uma nova sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, alegando que o país não combate suficientemente o trabalho forçado. Essa medida substitui a tarifa global de 10% e se soma a uma antecedente de 25%, acumulando uma carga de até 37,5% sobre algumas exportações.
Entre os itens isentos das novas tarifas estão carne, café e madeira. O governo brasileiro rejeita as acusações dos EUA, argumentando que o país possui legislação robusta e reconhecimento internacional no combate ao trabalho escravo, sendo signatário de 66 convenções da Organização Internacional do Trabalho, em contraste com as 10 ratificadas pelos Estados Unidos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que o impacto das tarifas será modesto na economia brasileira, que tem mostrado resiliência frente a choques externos. As exportações brasileiras para os EUA representam menos de 2% do PIB, e o mercado americano correspondeu a 11% das exportações nacionais em 2025. Assim, a dependência limitada do Brasil em relação ao mercado norte-americano e as isenções concedidas devem mitigar o impacto.
O governo brasileiro planeja iniciar imediatamente os trâmites legais previstos na Lei de Reciprocidade e formalizar a contestação junto à OMC. A resposta às tarifas unilaterais dos EUA será acompanhada de argumentos sobre a robustez da legislação brasileira e os compromissos internacionais assumidos pelo país.




