A escalada dos juros de longo prazo nos Estados Unidos chegou ao bolso do Tesouro brasileiro. Com os títulos americanos de 30 anos no maior nível desde julho de 2007, os investidores passaram a cobrar prêmios maiores também para financiar o Brasil — e isso encarece a dívida pública, segundo reportagem do Poder360 publicada neste sábado (1º).
O que aconteceu nos EUA
Os Treasuries, títulos do Tesouro americano, operam com as seguintes taxas, conforme o Poder360: 4,708% ao ano no papel de 10 anos, 5,253% no de 20 anos e 5,235% no de 30 anos.
O Money Times registrou, em 30 de julho, o título de 30 anos a 5,215%, com pico de 5,244% durante a sessão de quarta-feira — o maior nível desde julho de 2007, antes da crise financeira de 2008. O papel de 10 anos estava a 4,667%.
O gatilho foi a reunião do Federal Reserve de 29 de julho, que manteve a taxa de juros americana na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, com três membros votando por uma alta. Apesar do discurso duro sobre inflação, o mercado leu a decisão como tolerância a uma inflação acima da meta — e passou a exigir prêmio de risco maior nos títulos americanos mais longos, aponta o Money Times.
Para o economista Rafael Rondinelli, da MAG Investimentos, ouvido pelo Poder360, "o mercado agora atribui probabilidade maior a um cenário em que o Fed atrase o ajuste e, posteriormente, seja forçado a implementá-lo com mais intensidade". Segundo ele, isso indica perda de confiança dos investidores na comunicação do banco central americano.
O efeito no Tesouro Direto
No Brasil, os títulos atrelados à inflação subiram junto. Pelos dados do Poder360, o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2032 chegou a IPCA + 8,26% ao ano, a maior taxa da série recente. Os demais vencimentos ficaram assim: 2037 a IPCA + 8,03%, 2040 a IPCA + 7,80%, 2045 a IPCA + 7,76%, 2055 a IPCA + 7,54% e 2060 a IPCA + 7,64%.
Dois dias antes, em 30 de julho, o Money Times já havia registrado o IPCA+ 2040 a IPCA + 7,82% e o IPCA+ 2050 a IPCA + 7,56% — as maiores taxas já registradas para esses dois títulos.
O movimento vinha se desenhando desde a véspera das decisões dos bancos centrais. Em 29 de julho, segundo a SpaceMoney, as taxas do Tesouro Direto subiram em meio à maior aversão ao risco, com investidores ajustando posições antes das reuniões do Fed e do Copom, marcadas para o mesmo dia. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 passou de 14,73% para 14,77% ao ano.
Para o país, o efeito é direto: cada real de dívida rolada sai mais caro. É a conclusão do Poder360 ao apontar que os juros longos dos Estados Unidos elevam o custo da dívida do Brasil.














