A Anvisa aprovou em 17 de agosto o primeiro genérico de semaglutida do Brasil, da EMS, e o primeiro similar, da Germed. Por lei, o genérico precisa custar pelo menos 35% menos que o produto de referência, o que pode baixar o preço para menos de R$ 300.

O medicamento de referência para o cálculo é o Ozivy, primeira semaglutida sintética a chegar às farmácias brasileiras, vendida entre R$ 452 e R$ 498. Trinta e cinco por cento a menos coloca o novo genérico na faixa de R$ 293 a R$ 324.

O Ozempic, da Novo Nordisk, é vendido entre R$ 900 e R$ 1.400 por caneta, dependendo da dose e da rede de farmácia. Ele é um medicamento biológico, feito a partir de organismos vivos.

A lei brasileira não prevê a modalidade "genérico" para medicamentos biológicos. Por isso, tecnicamente, não existe "genérico do Ozempic".

O que a Anvisa aprovou foi o genérico e o similar de uma versão sintética da mesma molécula. Eles competem com o Ozempic no consultório e na farmácia, mas não são cópias regulatórias dele.

Genérico e similar também têm diferenças práticas entre si. O genérico pode ser trocado pelo farmacêutico sem nova receita, salvo proibição expressa do médico. O similar não tem essa flexibilidade. Precisa de receita, como o produto de referência.

Quem ganha e quem perde com a concorrência

A entrada de genéricos aumenta a disputa entre laboratórios. Segundo o Goldman Sachs, a Novo Nordisk deve manter entre 70% e 90% do mercado brasileiro de semaglutida em 2026, fatia que cai para 40% a 60% até 2029.

A Sandoz pode chegar a 6% do mercado em 2027. O banco avalia a Hypera como bem posicionada para aproveitar oportunidades no segmento, embora trate esse cenário como secundário.

Nenhuma das duas empresas, EMS e Germed, divulgou preço final ou data de chegada às farmácias. Os valores de R$ 293 a R$ 324 são o piso mínimo previsto em lei, não o preço definitivo.

O valor final ainda depende de aprovação da CMED, a câmara que regula preços de medicamentos no Brasil.

O que muda para quem já usa o remédio

Por enquanto, nada muda na prática: sem preço aprovado pela CMED, o genérico ainda não está à venda.

Mas a trajetória de preço da própria semaglutida no Brasil aponta a direção. Do Ozempic original, a R$ 900-1.400, ao primeiro sintético, a partir de R$ 452, a diferença já passa de R$ 600 por caneta.

Com pelo menos seis substâncias sintéticas registradas até julho e mais dois produtos aprovados agora, a tendência é de mais opções e preço menor.