O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) presta depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira (28), às 14h, em um inquérito aberto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para apurar suspeita de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A data foi definida pelo próprio ministro depois que a defesa do senador não indicou horário alternativo, alegando incompatibilidade de agenda.

O que está sendo investigado

O inquérito, que tramita como Pet 15.648 e tem como base o artigo 138 do Código Penal (calúnia), apura uma publicação feita por Flávio Bolsonaro na rede social X em 3 de janeiro de 2026, dia em que o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado pelos Estados Unidos. Na postagem, o senador associou Lula a Maduro e escreveu que o presidente "será delatado", citando "tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas". Segundo a Polícia Federal, há indícios concretos de que o texto atribuiu falsamente a Lula a prática de crimes de tráfico internacional de entorpecentes, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro. O inquérito foi aberto a partir de um ofício da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) ao Ministério da Justiça. A Agência Brasil informou ter procurado o gabinete do senador para comentar a conclusão da PF, sem retorno até a publicação da reportagem.

Próximos passos

Em sua decisão, Moraes afirmou que "impõe-se, portanto, a designação do ato por este Juízo, a fim de assegurar o regular prosseguimento das investigações". O procurador-geral da República, Paulo Gonet, já havia se manifestado destacando ser de "especial relevância" que o senador seja ouvido antes de uma eventual denúncia. A Polícia Federal tem prazo de 60 dias, a partir da abertura do inquérito, para concluir as diligências.