A Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP) autuou as redes varejistas Ultrafarma e Fast Shop em cerca de R$ 2,87 bilhões. As multas foram aplicadas após uma apuração interna aberta na esteira da Operação Ícaro, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investiga suspeitas de fraude tributária e corrupção em processos de ressarcimento de créditos de ICMS.
Segundo a Secretaria da Fazenda, "as irregularidades estão relacionadas a processos de ressarcimento de créditos de ICMS". A pasta apontou a suspeita de que servidores favoreceram grandes empresas, acelerando ou facilitando a liberação de valores.
A Fast Shop recebeu um único Auto de Infração e Imposição de Multa (AIIM), no valor de R$ 1,47 bilhão, lavrado pelo Grupo de Trabalho Refazimento (G29). Já a Ultrafarma foi autuada em três frentes, que somam cerca de R$ 1,39 bilhão: R$ 358 milhões pelo mesmo Grupo de Trabalho Refazimento, R$ 476 milhões pelo Grupo de Trabalho Transferências para Terceiros e R$ 555,8 milhões pelo Grupo de Trabalho Créditos Escriturados.
O que o Ministério Público apura
De acordo com o MP-SP, o esquema apelidado de "fura-fila" no ressarcimento de créditos de ICMS operava na Secretaria da Fazenda desde pelo menos 2002. Em troca de pagamentos ilícitos, auditores fiscais priorizavam a análise dos pedidos de ressarcimento e autorizavam a restituição de créditos tributários supostamente inflados para grandes empresas do varejo e do atacado.
A Operação Ícaro foi deflagrada em agosto de 2025 para desarticular o suposto esquema de pagamento de propinas destinado a acelerar e inflar pedidos de ressarcimento de tributos. Já naquele momento, a apuração apontava indícios de favorecimento à Ultrafarma e à Fast Shop. Em 2026 vieram novos desdobramentos, com as operações Mágico de Oz e Fisco Paralelo, e, em abril deste ano, cinco servidores foram demitidos.
Quem é citado na investigação
O auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como "King", é apontado pela investigação como líder do esquema e permanece preso. Ele é acusado de ter recebido R$ 383,6 milhões em propina. Outro auditor fiscal aposentado, Paulo Sérgio Siqueira do Prado, o "PP", firmou acordo de delação premiada; um terceiro investigado, identificado como "Americano", está foragido. A Secretaria da Fazenda e Planejamento é comandada pelo secretário Samuel Kinoshita.
Pelo lado das empresas, o fundador da Ultrafarma, Sidney Oliveira, e o diretor estatutário da Fast Shop, Mário Otávio Gomes, chegaram a ser presos e depois foram soltos. Nenhuma das pessoas citadas foi condenada em decisão definitiva.
Procuradas para comentar as multas, Ultrafarma e Fast Shop não haviam se manifestado até a última atualização desta reportagem.














