A Justiça de São Paulo homologou nesta quinta-feira (30) o plano de recuperação extrajudicial da Raízen. A decisão é da juíza Larissa Gaspar Tunala, da 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Segundo a decisão, o plano reestrutura R$ 65,14 bilhões em créditos financeiros quirografários. O valor total atribuído à causa é de R$ 98,63 bilhões — a diferença corresponde a R$ 33,49 bilhões em compromissos intragrupo, classificados como subordinados.
A adesão dos credores começou em 47% na proposta original, apresentada em 10 de março de 2026, e chegou a 81,6% dos créditos sujeitos ao plano. O percentual superou o mínimo exigido pela legislação para a homologação judicial, e o processo não teve impugnações. Com a decisão, as condições passam a valer para todos os credores alcançados, inclusive os que não haviam aderido à proposta.
O que entra e o que fica de fora
O plano se restringe exclusivamente a créditos financeiros. "Obrigações operacionais com fornecedores, clientes, revendedores e parceiros comerciais foram preservadas integralmente", diz o plano.
A proposta prevê a possibilidade de emissão de novas dívidas, capitalização com conversão de créditos em ações e reorganizações societárias. Segundo a empresa, a homologação permite conciliar as obrigações imediatas com a construção de uma estrutura financeira mais equilibrada, com alongamento de prazos da dívida, alívio da pressão de caixa e alinhamento dos pagamentos à capacidade financeira do grupo.
Juros altos e quebra de safra
A companhia atribui a crise financeira a quatro fatores: a taxa básica de juros acima de 12% ao ano por um período prolongado, a deterioração econômica na Argentina, adversidades climáticas na safra de cana-de-açúcar e a queda de preços de commodities. A alavancagem chegou a 5,3 vezes, nível recorde.
Na safra 2025/2026, a Raízen acumulou prejuízo de R$ 18,4 bilhões, com queima de caixa de R$ 7,2 bilhões. O grupo reúne nove empresas, emprega mais de 34 mil pessoas de forma direta e teve receita operacional líquida de R$ 255 bilhões no exercício 2024/2025. Em dezembro de 2025, o caixa era de R$ 17,3 bilhões.














