O destino da candidatura de Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) ao governo de Minas Gerais deve ser definido neste sábado (1º). O senador tem novo encontro marcado com a cúpula do partido — os deputados federais Marcos Pereira, presidente nacional, e Euclydes Pettersen, presidente estadual — para tentar reverter o veto ao seu nome.
O impasse começou quando Cleitinho não compareceu à convenção estadual do Republicanos, realizada em 25 de julho, nem enviou comunicado oficial ao partido sobre a intenção de concorrer. O senador estava de luto: seu irmão mais novo havia morrido uma semana antes, em decorrência de leucemia. Em 29 de julho, a legenda divulgou nota colocando a candidatura em dúvida e citando as "consequências inevitáveis" da ausência na convenção.
O primeiro encontro entre as partes, em 30 de julho, durou mais de cinco horas e terminou sem resolução. Marcos Pereira concordou em adiar a decisão, mas, de acordo com interlocutores ouvidos pelo O Tempo, segue resistindo à candidatura. Reportagem do Metrópoles publicada neste sábado registra que o presidente nacional mantém resistência inclusive aos pedidos de desculpas do senador.
Os atritos e os apoios
Além da ausência na convenção, pesou um segundo atrito: em entrevista coletiva em Divinópolis, Cleitinho afirmou que não usaria o Fundo Eleitoral em sua campanha. A cúpula entendeu a declaração como sinal de que o senador não precisaria do partido. Dirigentes também o consideram imprevisível e temem que ele desista no meio da campanha ou entre em conflito com outros candidatos da legenda, entre eles Eduardo Cunha.
Do outro lado, Cleitinho conseguiu montar uma frente de apoio. Estão com ele o próprio Pettersen, o deputado federal Zé Vitor, presidente estadual do PL, e o irmão gêmeo Gleidson Azevedo, ex-prefeito de Divinópolis, que ameaça abandonar a política caso o veto seja mantido. A favor do senador, seus defensores apresentam dois argumentos práticos: a liderança dele nas pesquisas eleitorais e a promessa de dispensar o fundo partidário, o que, segundo a reportagem, poderia ampliar a bancada federal do Republicanos em Minas.
Pettersen sinalizou que há boas chances de a candidatura ser retomada, mas as resistências continuam — em especial pela possibilidade de o ex-secretário estadual Marcelo Aro (PP) ocupar o espaço de candidato de centro-direita em Minas. Uma ala do Republicanos mineiro pressiona o presidente estadual por uma aliança com Aro.
O calendário não dá muito espaço para hesitação: pelo calendário eleitoral do TSE, as convenções partidárias precisam ocorrer até 5 de agosto, e o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral vai até as 19h de 15 de agosto.














