Seis candidatos à Presidência anunciaram vices do mesmo partido até 5 de agosto, formando as chamadas chapas "puro-sangue". Entre eles estão Flávio Bolsonaro (PL) com Alfredo Gaspar, Ronaldo Caiado (PSD) com Gilberto Kassab, Romeu Zema (Novo) com Eduardo Girão e Renan Santos (Missão) com Aroldo Medina. Lula é o único com aliança multipartidária, ao lado de Geraldo Alckmin (PSB).
Completam a lista de chapas puro-sangue Augusto Cury (Avante), com o vice Julio Delgado, e Clariana Barão (Democracia Cristã), com Fabiana Torquato. O termo descreve tickets presidenciais em que candidato e vice são do mesmo partido, sem a costura de alianças entre legendas diferentes.
Por que as negociações fracassaram
Flávio Bolsonaro tentou atrair a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, além de Podemos e Republicanos. Chegou a cogitar nomes femininos de outras legendas para a vice, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a economista Daniella Marques (Republicanos) e a deputada Renata Abreu (Podemos-SP). Nenhuma delas emplacou: as negociações "deram em nada", segundo reportagem do Correio Braziliense.
Romeu Zema e Augusto Cury chegaram a discutir uma fusão de chapas em 30 de julho, mas Zema manteve a candidatura própria. Ronaldo Caiado tentou convencer Zema a ser seu vice, também sem sucesso.
O que isso significa para a corrida
Gustavo Ribeiro, mestre em ciência política pela Universidade Sorbonne, em Paris, afirma que o Centrão prefere aguardar antes de declarar apoio. "Ninguém quer pagar antecipadamente por um ativo cuja cotação ainda considera incerta", disse o cientista político. Partidos do bloco preservam neutralidade como estratégia para apoiar o vencedor só em novembro.
Segundo Ribeiro, chapas puro-sangue também custam palanques estaduais, que ajudam a puxar votos no interior dos estados. Cada candidato que não fechou aliança com outra legenda perde a estrutura política que essas siglas ofereceriam nos redutos regionais.














