A JBS registrou receita recorde de US$ 23,9 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 14% sobre o mesmo período de 2025, mas fechou o balanço com prejuízo líquido de US$ 102 milhões. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira (10) e detalhado em teleconferência com investidores nesta terça (11).
Segundo a companhia, o prejuízo reportado concentra itens não recorrentes de cerca de US$ 305 milhões: US$ 172 milhões em custos da recompra de bônus e CRAs, e US$ 133 milhões em acordos antitruste.
Sem esses itens, o lucro líquido ajustado foi de US$ 218 milhões.
O que pesou no resultado
O Ebitda ajustado somou US$ 1,4 bilhão, queda de cerca de 18% na comparação anual, com margem de 6,0% ante 8,4% um ano antes.
A divisão JBS Beef North America teve Ebitda negativo de US$ 100 milhões. O custo do boi subiu mais rápido do que o preço da carne nos Estados Unidos, apertando a margem mesmo com cotações historicamente altas.
A operação de carne suína nos EUA também piorou. A margem da USA Pork caiu para 5,6%, contra 12,3% um ano antes, por demanda doméstica mais fraca no país.
"Voltamos a registrar receita recorde, refletindo a força de nosso portfólio diversificado entre geografias, proteínas e marcas", disse o CEO Gilberto Tomazoni.
O CFO Guilherme Cavalcanti destacou o caixa da empresa. "Temos uma estrutura de capital sólida e liquidez adequada para atravessar os diferentes ciclos de nossas operações", afirmou.
A alavancagem subiu para 3,1 vezes a dívida líquida sobre o Ebitda, contra 2,27 vezes um ano antes. A dívida líquida está em US$ 18,9 bilhões, com liquidez total de US$ 7,7 bilhões.
O fluxo de caixa livre, no entanto, ficou positivo em US$ 130 milhões, US$ 185 milhões melhor que no mesmo trimestre de 2025.
A ação da JBS (JBSS3) caiu 4% na B3 depois do balanço. Bank of America, BTG Pactual e Itaú BBA classificaram o resultado como acima das próprias estimativas, e a XP Investimentos considerou o trimestre em linha com suas projeções.
Mesmo assim, nenhuma das casas tratou o número isoladamente como boa notícia. A recuperação da carne bovina nos EUA e o nível de alavancagem continuam no radar dos analistas, que mantêm recomendação de compra com preço-alvo de R$ 100 para o BDR da empresa.
O mesmo custo do boi que pressionou a margem da JBS nos Estados Unidos também chegou ao consumidor brasileiro. A arroba do boi gordo alcançou R$ 347,50 no início de agosto, acumulando alta de 12,1% em 12 meses.
Cortes tradicionais de carne bovina subiram até 14,05% no mesmo período, segundo levantamentos do setor.
É o mesmo mecanismo dos dois lados do balanço.














