Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reuniu cerca de 40 candidatos ao Senado nesta terça-feira (11) em Brasília para alinhar o discurso da campanha e ampliar as críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) nos estados. O PL já anunciou 47 postulantes em 26 estados e no Distrito Federal, na disputa por 54 das 81 cadeiras da Casa em outubro.

Segundo o Metrópoles, o encontro teve como meta integrar as pautas estaduais ao projeto presidencial de Flávio e orientar os candidatos a reforçarem, nas campanhas locais, o discurso de confronto com o STF.

"O próximo presidente indica quatro ministros do STF, e eu vou colocar lá homens e mulheres que respeitam a Constituição", disse Flávio aos candidatos reunidos.

Cada indicação ao Supremo precisa do aval de pelo menos 41 dos 81 senadores. É esse número que torna a bancada do Senado decisiva para qualquer projeto de poder sobre a Corte a partir de 2027.

O que está em jogo nas 54 vagas do Senado

A eleição de outubro renova 54 das 81 cadeiras da Casa, a maior fatia possível em um único pleito. Em 2022, a direita e a extrema direita já haviam conquistado 14 das 27 vagas então disputadas.

Como o mandato de senador dura oito anos, esse grupo segue no cargo até 2030. Para a oposição alcançar a maioria simples do Senado em 2027, faltam 16 cadeiras.

O número ganha outro peso porque condenar um ministro do STF em processo de impeachment exige 54 votos, dois terços do plenário. É o mesmo tanto de cadeiras que estará em disputa em outubro.

"Não podemos cogitar dividir nossas atenções para o Senado, sob o risco de entregarmos uma das vagas para a esquerda", afirmou Flávio aos aliados, ao defender que a prioridade da campanha seja a bancada da Casa.

A ofensiva contra o STF ganhou força depois que o PT questionou o uso de inteligência artificial para simular a imagem de Jair Bolsonaro durante a convenção do PL, segundo a Revista Fórum.

Entre os 47 candidatos já anunciados pelo partido estão Michelle Bolsonaro, pelo Distrito Federal, Arthur Lira, por Alagoas, e Marcel Van Hattem, pelo Rio Grande do Sul.

A campanha pretende usar a estrutura local desses candidatos para organizar viagens e mobilizar apoiadores nos estados onde Flávio não conseguirá estar presente durante os pouco mais de 40 dias de campanha.

O calendário eleitoral corre em paralelo.

O prazo para os partidos protocolarem pedidos de registro de candidatura na Justiça Eleitoral termina às 19h do dia 15 de agosto. A propaganda eleitoral nos meios de comunicação e na internet passa a ser permitida a partir do dia 16.

O tamanho da fatia que muda de mãos

Das 81 cadeiras do Senado, 54 mudam de mãos ou são renovadas em outubro, o mesmo número de votos necessário para condenar um ministro do STF em processo de impeachment. Falta saber quantas dessas vagas cada lado vai conquistar.

E se o resultado aproxima o Senado desse patamar de votos, ou afasta a hipótese de vez.