O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). O resultado veio acima da expectativa do mercado, que era de alta de 0,03%, segundo pesquisa da Reuters.

Em 12 meses, a inflação acumulada recuou de 4,64%, em junho, para 4,44%. O número ficou dentro da meta do Banco Central, de 4,5%, com banda de tolerância entre 3% e 6%.

O que mais pesou no bolso

O grupo Habitação teve a maior alta do mês, de 0,99%, com impacto de 0,15 ponto percentual no índice geral. O principal motor foi a energia elétrica residencial, que acelerou de 1,53% em junho para 3,09% em julho.

Do lado oposto, Alimentação e Bebidas caiu 0,67%, com impacto negativo de 0,14 ponto percentual. O tomate liderou a queda, com recuo de 29,09% no mês. Vestuário também ficou mais barato, com queda de 0,66%.

Saúde e cuidados pessoais subiram 0,40% e Transportes teve alta de apenas 0,05%.

Por que o resultado preocupa parte do mercado

Mesmo com o índice geral dentro da meta, a inflação de serviços segue como principal preocupação. Ela subiu 0,54% em julho, acima do consenso de 0,40%, e acumula entre 5,85% e 5,90% em 12 meses.

"A fotografia melhorou, mas saiu menos bonita do que o mercado havia encomendado", disse Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.

"A leitura interrompeu uma sequência de surpresas baixistas, mas o desvio ficou concentrado em itens voláteis", afirmou Basiliki Litvac, economista da XP.

A resiliência dos preços de serviços, segundo analistas do C6 Bank, é o que deve limitar o espaço para novos cortes na Selic, hoje em 14% ao ano.

Parte do mercado defende pausa até o fim de 2026, enquanto outra parte ainda projeta um corte de 0,25 ponto percentual em setembro.

O boletim Focus mais recente projeta o IPCA de 2026 em 5,02%, acima do teto da meta, mesmo com a trajetória de desaceleração mês a mês observada desde junho.