O Ibovespa fechou nesta segunda-feira (14) em queda de 0,91%, a 185.500,88 pontos, enquanto o dólar subiu 0,43% e encerrou o dia a R$ 5,147. Os dois movimentos têm a mesma origem: o investidor global está com mais medo de arriscar.
Durante o pregão, o Ibovespa chegou a cair para 183.813,36 pontos e o dólar oscilou entre R$ 5,142 e R$ 5,182. O volume negociado na B3 somou R$ 24,5 bilhões, dentro da média dos últimos pregões.
O gatilho mais direto veio dos Estados Unidos: o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos rompeu 5% pela primeira vez desde 2023. O mercado passou a prever quatro altas de 0,25 ponto nos juros dos EUA até o fim de 2027.
"A conjuntura internacional se encaminha como elemento principal da movimentação do dólar", afirmou o analista Luca Girardi, da corretora Nomad, associando o movimento também à alta do petróleo.
Quem perdeu e quem ganhou na Bolsa?
As maiores quedas do pregão foram de mineradoras e siderúrgicas: CMIN3 recuou 6,85%, USIM5 caiu 4,74% e CSNA3 perdeu 4,65%. Esses papéis são mais sensíveis ao preço de commodities e ao humor da China.
Do outro lado, TOTS3 subiu 4,34% e HYPE3 avançou 3,38%, resistindo à queda geral do índice. Em Nova York, o cenário também foi negativo: o Dow Jones caiu 0,29%, o S&P 500 recuou 0,48% e a Nasdaq perdeu 0,56%.
Ao lado do juro americano, o petróleo Brent subiu 1,02%, a US$ 105,68 o barril, pressionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio. No Brasil, a instabilidade em torno do caso que envolve o STF também entrou na conta dos analistas como fonte de cautela.
A alta do petróleo já aparece no posto de gasolina americano, acima de US$ 4,30 o galão, com o diesel em nível recorde nos Estados Unidos.
O que acontece agora
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta quarta-feira (16), com expectativa de cortar a Selic. Não é a primeira vez neste ano que uma decisão dos Estados Unidos mexe direto com o câmbio e a Bolsa no Brasil.
O ponto em aberto
A reunião do Copom cai no mesmo dia em que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, pode caminhar na direção oposta e subir os juros americanos.
Um Banco Central reduzindo juros enquanto o outro aperta é a divergência que os investidores vão testar nos próximos dias. É esse descompasso, mais do que qualquer notícia brasileira isolada, que ajuda a explicar por que o dólar reagiu tão forte nesta segunda-feira.


























