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Lula usa Trump como estratégia para se aproximar do agronegócio
A nova taxação dos EUA proporciona uma oportunidade para o governo Lula e isola bolsonaristas no Congresso
Na quarta-feira, 2, o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), cruzou o limite do Salão Azul do Senado e foi para o Salão Verde, que antecede a entrada principal do plenário da Câmara. Enquanto a oposição mais radical fazia discursos pedindo urgência para o projeto de anistia aos condenados pelo 8 de janeiro e ameaçava obstruir os trabalhos, Randolfe conversava com jornalistas ao lado e questionava: “Cadê os patriotas? Quero ver se vão votar a lei da reciprocidade”.
Contexto da Proposta
No momento, havia expectativa sobre o percentual da sobretaxa que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicaria às exportações brasileiras. A lei da reciprocidade, que já havia sido aprovada no Senado na terça-feira, era considerada a resposta do governo brasileiro às medidas protecionistas de Trump. Randolfe fez uma aposta otimista: “Aqui na Câmara, a aprovação também será unânime. Se os bolsonaristas votarem contra, vai ficar ruim porque eles vão se queimar com a base deles”.
Resultados da Votação
Ao final da sessão, marcada por Trump como o Dia da Liberdade, a reciprocidade foi aprovada simbolicamente pelos deputados, com a urgência passando por uma votação esmagadora, 361 a favor, 10 contra e 3 em obstrução. Na rodada seguinte, o encerramento da discussão obteve 300 votos favoráveis, 92 contrários e 3 de obstrução.
Separação na Direita Brasileira
O tarifaço de Trump levou ao isolamento dos bolsonaristas mais radicais no Congresso, evidenciando a divisão dentro da direita. Existem aqueles que preferem se alinhar com os Estados Unidos, independentemente dos efeitos nas economias locais, e outros que adotam uma postura mais pragmática, considerando os impactos negativos que as medidas podem ter sobre setores industriais e do agronegócio.
Relações entre Lula e o Agronegócio
A votação no Senado anterior já havia demonstrado a união entre o governo e a oposição ligada ao agronegócio. A proposta, apoiada pelo Planalto, foi relatada pela senadora Tereza Cristina (PP-MS) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O tarifaço de Trump gerou um embate entre o presidente Lula e o ex-presidente Jair Bolsonaro, que defendeu Trump, alegando que este “está apenas protegendo o seu país deste vírus socialista”. Bolsonaro criticou o governo Lula, argumentando que, ao invés de agir de forma recíproca, o Brasil deveria “extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos”.
Reação de Lula
Em resposta, Lula, durante um evento da Secom na quinta-feira, 3, reafirmou a postura do governo brasileiro de reagir com reciprocidade a iniciativas protecionistas. Ele fez um apelo ao nacionalismo, evocando a bandeira do Brasil em uma clara tentativa de conquistar o público que se identifica com Bolsonaro, sob um suposto sentimento patriótico. “Não toleramos ameaças à democracia, não abrimos mão de nossa soberania e não batemos continência para nenhuma bandeira que não seja a verde e amarela”, declarou Lula.
Conclusão
O governo utilizou o lema “o Brasil é dos brasileiros”, resgatando um fato emblemático de 2019, quando Bolsonaro, ao receber um prêmio em Dallas, bateu continência para a bandeira dos Estados Unidos.