O ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) desistiu nesta terça-feira (18) de disputar uma vaga de deputado federal por Roraima nas eleições de 2026. A decisão vem três dias depois de o ministro Flávio Dino, do STF, suspender a condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro que o tornava inelegível.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) havia condenado Jucá, em julho de 2026, a 9 anos, 10 meses e 15 dias de prisão.
O caso trata de uma doação de R$ 150 mil da Odebrecht ao MDB de Roraima, supostamente disfarçada de pagamento pela campanha do filho de Jucá a vice-governador, em 2014.
A acusação era de que o valor beneficiou o então senador em troca de apoio a interesses da empreiteira em medidas provisórias.
Dino suspendeu a condenação e os efeitos de inelegibilidade em 14 de agosto. O ministro entendeu que cabe ao STF, e não ao TRF-1, julgar o caso.
Isso porque os fatos teriam ocorrido durante o mandato de senador de Jucá, no exercício de função parlamentar, o que atrai a competência da Corte.
A decisão liberou, no dia seguinte, o registro da candidatura de Jucá a deputado federal. Ela ainda é liminar e depende de referendo dos demais ministros do STF e de manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
"Um processo já arquivado, analisado por um juiz substituto em um tribunal sem competência para tal análise", disse Jucá sobre o caso, ao anunciar a desistência.
"Não gosto mais desse tipo de disputa. Gosto de política, da boa política. Mas disputa baixa e vil não cabe mais na minha vida", afirmou.
Jucá disse ainda ter sido alvo de "mentiras e ações" que afetam sua imagem pública e a de sua família. Segundo ele, a decisão de não disputar a eleição deste ano teve "o apoio da minha família".
Jucá foi senador por Roraima por 24 anos, em três mandatos consecutivos, entre 1995 e 2019. É presidente do MDB no estado e já ocupou cargos de ministro nos governos Lula, em 2005, e Temer, em 2016.


























