A Bolívia enviou mais de 200 militares e policiais a San Matías, cidade na fronteira com o Mato Grosso, depois que uma disputa entre as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) deixou nove mortos em cinco dias na região de Santa Cruz. Entre as vítimas está um tenente da polícia boliviana.
O contingente chegou à região na segunda-feira (17) à noite e já realiza patrulhamento, buscas, rastreamento e controles preventivos, segundo o governo boliviano.
A onda de crimes foi atribuída a homens ligados às duas facções, que disputam o controle de uma rota usada para escoar cocaína.
Por que a Bolívia virou território de disputa
Segundo estimativa da ONU, cerca de 80 toneladas de cocaína cruzam todo ano a fronteira entre Brasil e Bolívia, um dos corredores mais estratégicos do tráfico na América do Sul.
É esse volume que explica por que PCC e CV levaram para o país vizinho uma disputa que, até pouco tempo, se concentrava dentro do território brasileiro.
O Ministério do Governo da Bolívia identificou quatro pontos críticos na fronteira: Cobija, de frente para Brasileia (AC); Guayaramerín, ligada a Guajará-Mirim (RO); Puerto Suárez, vizinha de Corumbá (MS); e San Matías, próxima a Cáceres (MT).
Os quatro ficam nos departamentos de Pando, Beni e Santa Cruz.
O que muda com o plano Fronteiras Seguras
Para conter a escalada, o governo boliviano lançou o plano Fronteiras Seguras, que amplia a presença policial nos quatro pontos críticos e prevê troca de inteligência com a Polícia Federal do Brasil.
Pelo acordo, a PF passa a ter escritório permanente e bases operacionais dentro do território boliviano, com agentes brasileiros trabalhando lado a lado com a polícia local. É a primeira vez que a corporação terá presença fixa dentro do país vizinho.
Não é a primeira ação conjunta contra o crime organizado na fronteira.
O governo boliviano soma, em operações recentes, a destruição de 190 pistas de pouso clandestinas, a apreensão de cerca de 300 toneladas de drogas e a expulsão de 17 líderes de facções criminosas do país.
A chegada das tropas em San Matías é a resposta mais direta à violência dos últimos dias.
O reforço inclui buscas e bloqueios nas estradas que ligam a cidade à fronteira, na tentativa de conter os grupos armados antes de eles se deslocarem para o lado brasileiro.
A Polícia Federal já atua hoje em pontos de fronteira, mas em ações pontuais, sem presença fixa em solo boliviano. É isso que o novo acordo muda.


























