O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), 45 anos, chega ao primeiro turno das eleições 2026 como o 2º colocado nas pesquisas, representando o bolsonarismo contra o presidente Lula (PT). Ele é o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar por trama golpista.

Formado em direito, Flávio nasceu em 30 de abril de 1981, em Resende (RJ), perto da Academia Militar das Agulhas Negras, onde o pai estudou. Passou a infância em Nioaque (MS), enquanto Jair Bolsonaro servia no Exército.

Entrou na política aos 21 anos: em 2003, foi eleito o deputado estadual mais jovem da legislatura no Rio, com 31.293 votos. Cumpriu quatro mandatos consecutivos na Alerj, concentrando atuação em segurança pública.

Em 2016, disputou e perdeu a prefeitura do Rio. Dois anos depois, foi eleito senador com mais de 4 milhões de votos, o mais votado para o cargo no estado.

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Um mandato de bandeira forte e produção legislativa tímida

Como senador, Flávio presidiu a Comissão de Segurança Pública, tema que sempre colocou como sua bandeira. Mas teve atuação discreta no plenário: apenas dois projetos de sua autoria viraram lei, nenhum deles sobre segurança pública.

No mesmo período, o patrimônio declarado por Flávio passou de R$ 1,7 milhão para R$ 8,1 milhões.

A escolha de Flávio como candidato do PL não foi unânime. Segundo o G1, o nome disputava espaço com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com o irmão Eduardo Bolsonaro, deputado cassado e condenado pelo STF, e com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

A decisão coube a Jair Bolsonaro, no fim de 2025, após disputas internas e o que o G1 descreveu como uma intensa briga familiar.

"Nós vamos fazer um governo moderno que vai ter no centro do governo vocês, cidadãos brasileiros. Vai ter respeito à liberdade de imprensa, respeito à liberdade de expressão", discursou Flávio em campanha, na véspera do primeiro turno.

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Flávio chega à eleição sob investigação da Polícia Federal, por ordem do STF, sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre seu pai.

O inquérito apura suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, ligada a uma negociação com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

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Há também investigação paralela, sob relatoria do ministro Flávio Dino, sobre uso de R$ 2 milhões em emendas parlamentares supostamente direcionadas à produtora do filme. Não há denúncia formal nem condenação em nenhum dos dois inquéritos.

O ponto em aberto

A indicação de Flávio dividiu o PL antes de unir o partido em torno dele: Tarcísio de Freitas, Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro também eram cotados para a cabeça de chapa.

O resultado do primeiro turno vai mostrar se a aposta na sucessão direta dentro da família consolida esse modelo de escolha para o bolsonarismo, ou se a disputa interna volta a se abrir no próximo ciclo.