Os afastamentos do trabalho por síndrome de burnout saltaram de 1.760 para 6.985 casos entre 2023 e 2025 no Brasil, alta de 296% em dois anos. Jovens profissionais no início de carreira são os mais atingidos, aponta a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica o burnout como fenômeno ocupacional decorrente de estresse crônico não administrado. Ele afeta de forma desproporcional as gerações mais jovens, que entram no mercado sob pressão por performance rápida e disponibilidade constante.
Por que os mais jovens adoecem mais?
A combinação de pressão corporativa por resultado imediato com a hiperconexão digital acelera o esgotamento em quem está no início da carreira. O tema ecoa no debate sobre a escala de trabalho 6x1 e seus efeitos na saúde mental.
"Estamos falando de gerações que iniciam e constroem suas carreiras em um contexto de muita aceleração, instabilidade e pressão por performance", explica Denise Milk, psicóloga empresarial e especialista em desenvolvimento de lideranças.
Segundo Milk, o descanso passa a vir acompanhado de culpa, porque parar dá a impressão de que outra pessoa está avançando mais rápido na carreira. Estudos citados pela reportagem mostram que a comparação social contínua nas redes intensifica a sensação de insuficiência.
O que mostram os números oficiais?
Os dados do INSS contam só afastamentos acima de 15 dias, o que deixa de fora os casos mais curtos e os não notificados. O total de trabalhadores afetados tende a ser maior do que o registrado.
Francisco Cortes Fernandes, presidente da Anamt, descreve a fase de despersonalização do burnout: "Ela passa a trabalhar no automático, como se não estivesse naquele local, e se torna ineficaz em suas tarefas com o tempo."
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O dado contrasta com uma queda de 13% nos afastamentos gerais por saúde mental registrada em levantamento de outro semestre — sinal de que o burnout específico segue em trajetória diferente do conjunto de transtornos mentais.
O que acontece agora
A Norma Regulamentadora NR-1, que trata de saúde mental no trabalho, já está em vigor.
Ainda assim, uma pesquisa da ABQV com 300 mil funcionários mostra que 89% das empresas não têm diretriz contra mensagens de trabalho fora do expediente. E 65% não têm programa de prevenção de risco à saúde mental.





























