Uma baleia morta na praia é mais perigosa do que parece. A decomposição do animal produz gases que pressurizam o corpo por dentro, e a carcaça pode se romper de forma súbita, arremessando tecidos e expondo quem está perto a bactérias nocivas, segundo o Metrópoles.

A pressão nasce da própria decomposição. Bactérias que já viviam no trato gastrointestinal do animal começam a decompor os tecidos assim que ele morre, segundo a bióloga Carol Braga.

"À medida que os microrganismos produzem gases, eles se acumulam nas cavidades corporais. Quando essa pressão ultrapassa a resistência mecânica de alguma região da carcaça, pode ocorrer uma ruptura súbita", explica Braga.

Por que é preciso manter distância de 100 metros?

A recomendação de isolamento existe porque o contato com os tecidos e fluidos da decomposição pode transmitir doenças, segundo a médica-veterinária e microbiologista Diane Alves, da FSG, em Caxias do Sul (RS).

A recomendação padrão é manter um raio mínimo de 100 metros de isolamento.

O perímetro exato varia conforme o tamanho do animal, o vento e a maré, mas a aproximação sempre traz risco biológico. Uma baleia pode pesar dezenas de toneladas, e até o coração de uma baleia-azul chega a 200 kg.

Nas cavidades sem oxigênio da carcaça, proliferam bactérias do gênero Clostridium e outros patógenos zoonóticos, que passam de animal para humano. Entre os já documentados em mamíferos marinhos estão a Brucella ceti, associada à brucelose, e a Erysipelothrix rhusiopathiae.

O que fazer ao encontrar uma baleia encalhada?

Quem encontrar uma baleia encalhada, viva ou morta, deve isolar a área, principalmente crianças e animais domésticos, e acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou o órgão ambiental da região, segundo o protocolo adotado no Brasil.

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O chamado aciona a Rede de Encalhe e Informação de Mamíferos Aquáticos (REMAB), coordenada pelo ICMBio, responsável por orientar a remoção e investigar a causa da morte.

Órgãos ambientais já cobram mais fiscalização para a proteção de baleias no litoral, como em Ilhabela, em São Paulo.

No litoral do Ceará, uma baleia-jubarte encontrada morta em Icapuí em setembro levou dias para ser retirada da Praia da Redonda, numa operação da ONG Aquasis condicionada à variação das marés.

No Brasil, a espécie mais associada a encalhes é a baleia-jubarte, que soma quase 35 mil indivíduos, 40 anos depois do fim da caça comercial. Em 30 anos de registros no Ceará, a Aquasis já contou 35 encalhes de baleias, 26 deles de jubartes.

O aviso vale para qualquer baleia encontrada na costa brasileira, viva ou morta. Quem avista o animal primeiro não deve se aproximar, nem deixar que outras pessoas o façam.