O fim das apostas online no Brasil deve reaquecer o varejo neste último trimestre do ano. Entre outubro de 2024 e março de 2026, famílias brasileiras desviaram, em média, R$ 4,7 bilhões por mês do orçamento doméstico para as bets, aponta reportagem do Povo.

Do total movimentado por mês, R$ 24,1 bilhões passavam pelo Pix só em transferências para apostas, segundo o mesmo levantamento.

A medida é a Medida Provisória 1.394/2026, assinada por Lula em 25 de setembro, que proibiu a exploração, a oferta e a publicidade de apostas de quota fixa no país. O governo já tirou mais de 88 mil sites do ar.

"A despesa provocada pelas bets foi infinitamente maior do que a arrecadação", diz a economista da FGV Carla Beni.

O dinheiro das apostas vai mesmo para o comércio?

Os sinais já apareceram: as transferências via Pix para apostas caíram 10% logo após a proibição. Uma semana depois da MP, ainda havia R$ 1,45 bilhão em contas de 22,9 milhões de apostadores, dinheiro que tende a migrar para consumo.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, as medidas são importantes para conter o agravamento da inadimplência das famílias.

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O setor de apostas concorda com a proibição?

Não. Representantes do setor dizem que a proibição empurra o apostador para plataformas sem nenhuma proteção ao consumidor, sem identificação, limite de gasto ou autoexclusão.

Um levantamento identificou 833 sites ilegais de apostas já em setembro; outro monitoramento, da Iron Security, achou 697 domínios suspeitos no mesmo mês.

A Associação Nacional de Jogos e Loterias estima que as bets ilegais já respondiam por 38% a 44% do mercado antes mesmo da proibição total.

O que acontece agora

Os apostadores têm até esta segunda-feira (5) para sacar o saldo que sobrou nas plataformas. A partir de 6 de outubro, mais 186 aplicativos de apostas devem sair das lojas de celular.

O impacto no caixa dos clubes de futebol, que tinham 14 dos 20 times da Série A patrocinados por casas de apostas, é outra frente que o governo ainda negocia.