A Petrobras atingiu na sexta-feira (2) um valor de mercado recorde de R$ 700,08 bilhões na B3, depois de anunciar uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, a 175 km da costa do Amapá. As ações preferenciais subiram 2,81%, e as ordinárias, 3,25%.

O salto de R$ 20,9 bilhões em um único pregão levou a estatal a bater recorde de valor de mercado pela quarta vez em 2026, dias depois de confirmar a primeira descoberta no mesmo poço.

"Se confirmada expectativa, abrimos nova fronteira exploratória", disse a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ao comentar a descoberta. Segundo ela, a conclusão do poço está prevista para o fim de outubro.

Por que a Petrobras já bateu recorde 4 vezes neste ano?

Todos os recordes de 2026 vieram da Margem Equatorial, a fronteira exploratória que a Petrobras aposta como sucessora do pré-sal. A Empresa de Pesquisa Energética estima que a Bacia da Foz do Amazonas pode guardar até 10 bilhões de barris de óleo equivalente.

Cada novo teto veio colado a uma notícia de petróleo na Margem Equatorial, a região que o governo trata como a nova fronteira do país.

A área já é tratada como um novo pré-sal: um estudo estima que pode ter até 83% do volume do pré-sal clássico.

O avanço no Amapá enfrenta resistência na Justiça?

Sim. O Ministério Público Federal recorreu ao TRF1 contra a licença que autoriza a Petrobras a perfurar o bloco FZA-M-59, pedindo suspensão imediata das atividades e multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento.

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O MPF argumenta que a decisão da Justiça Federal no Amapá ignorou riscos ambientais e a falta de consulta a comunidades tradicionais, prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A crítica também mira a ampliação do projeto, que passou a permitir a perfuração de até quatro poços até 2029 sem novos estudos ambientais. A Petrobras diz que os estudos feitos não indicaram impacto socioambiental direto sobre comunidades ou terras indígenas.

A aposta é antiga: a estatal já havia planejado investir R$ 13 bilhões na Margem Equatorial para compensar o declínio do pré-sal clássico nos próximos anos.

O ponto em aberto

O ritmo dos recordes mostra como o mercado já precifica a Margem Equatorial como o próximo pré-sal, mesmo antes de qualquer poço entrar em produção comercial.

A mesma pressa é o que o MPF tenta frear na Justiça: para o órgão, abrir a nova fronteira rápido demais pode significar pular etapas de estudo ambiental que a lei exige.