O Brasil destinou 4,5% do PIB à educação em 2023, acima da média de 4% dos países da OCDE. Mas, por aluno, o investimento anual foi de US$ 4.133, cerca de um terço dos US$ 13.601 gastos em média pelo bloco.

Os números são do relatório Education at a Glance 2026, divulgado pelo MEC e pelo Inep em 29 de setembro. O paradoxo tem explicação demográfica: o alto volume de população em idade escolar dilui o investimento por estudante.

Audiência pública na Câmara sobre escola pública e acesso à faculdade, com diretora de escola do Ceará
Audiência pública na Câmara dos Deputados sobre escola pública e acesso à faculdade, com o exemplo do Ceará (maio de 2026). Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados (CC BY)

Por que gastar menos por aluno importa?

Ricardo Henriques, do Instituto Unibanco, resume: “o Brasil já investe mais em proporção do PIB do que a média da OCDE, mas quando se traduz em gasto por aluno, ficamos em um patamar muito abaixo.” Para ele, isso compromete a aprendizagem.

Nos anos iniciais (1º ao 5º ano), o Brasil gasta US$ 4.064 por aluno contra US$ 12.893 da OCDE. Nos anos finais (6º ao 9º), US$ 4.390 contra US$ 14.291.

Chile (US$ 5.794) e Costa Rica (US$ 7.028) gastam mais por aluno que o Brasil, mesmo como vizinhos latino-americanos com economias menores.

Os números que melhoraram

Nem tudo piorou: a taxa de jovens de 18 a 24 anos que não trabalham nem estudam caiu de 26,8% em 2016 para 22,4% em 2024, queda quase duas vezes maior que a da OCDE.

Jovens de 25 a 34 anos sem ensino médio completo foram de 35% para 25,8% na mesma década. O gargalo, porém, segue no ensino superior: apenas 22,3% dos brasileiros de 25 a 64 anos têm diploma universitário, contra 42,6% na média OCDE.

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É a maior distância entre todos os indicadores do relatório. A USP entrou no top 150 do ranking mundial de universidades este ano, mas é exceção num sistema com poucas vagas no topo.

A TV Sim Brasil já mostrou que 17,5% dos jovens do Rio de Janeiro estão fora do mercado de trabalho e da educação, reflexo do mesmo gargalo em nível estadual.

A carência docente é o tema central da edição 2026 do relatório: 9% dos professores brasileiros não são plenamente qualificados, patamar praticamente igual ao da OCDE (9,1%).

Programas como o Pé-de-Meia e o Mais Professores para o Brasil, virado lei em 2026, miram reter estudantes e atrair docentes.

O que acontece agora

O Inep deve divulgar a próxima edição de indicadores em 2027, quando será possível medir se a queda do investimento por aluno, iniciada em 2015, segue revertendo. Até lá, o desafio identificado por Henriques segue sem solução anunciada pelo MEC.