O candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo-PR) anexou dezenas de páginas com dados de sigilo fiscal e bancário do ministro do STF Cristiano Zanin ao registro de sua candidatura no TRE-PR, neste sábado (5). Zanin pediu a retirada imediata dos documentos e a responsabilização criminal de quem os expôs.

Dallagnol foi o coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, a mesma operação em que Zanin defendia Lula. Ele hoje disputa o Senado ao lado do ex-juiz Sergio Moro, com quem já trabalhou na força-tarefa.

Dallagnol juntou o material para contestar uma tentativa de impugnação da própria candidatura ao Senado pelo Paraná. Os dados vieram de uma reclamação disciplinar sigilosa que tramita contra ele no CNMP, com milhares de páginas, segundo sua defesa.

A tentativa de barrar a candidatura de Dallagnol partiu do PT, que pediu ao TRE-PR a impugnação em agosto. O Ministério Público Eleitoral do Paraná, porém, já havia dado parecer favorável à manutenção da candidatura.

A defesa de Dallagnol anexou dezenas de páginas de forma integral, para não omitir nenhum dado que considerasse relevante. Zanin, por sua vez, endereçou seu pedido ao desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza, presidente do TRE-PR, com cópia ao TSE.

Solicito a vossa senhoria providências objetivando sanar essa ilegalidade bem como as comunicações devidas objetivando a responsabilização dos envolvidos, inclusive no âmbito criminal

O que o material sigiloso revela

Os documentos têm origem em 2019, na Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. O então juiz Marcelo Bretas quebrou o sigilo de Zanin, então advogado de Lula, sob suspeita de desvio de recursos públicos.

A Receita Federal não encontrou, à época, contas secretas no exterior, valores não declarados ou bens sem origem comprovada em nome de Zanin ou de seu escritório.

A decisão que quebrou o sigilo foi depois anulada pela Justiça, e o material que Dallagnol usa agora contra a impugnação já havia sido invalidado judicialmente quando foi produzido contra o próprio Zanin.

O que acontece agora

A disputa de Dallagnol pelo Senado está apertada. Pesquisa do instituto IRG, contratada pela TV Independência e registrada no TSE sob o número PR-02179/2026, ouviu 1.200 eleitores entre 31 de agosto e 3 de setembro.

No cenário de primeiro voto, com margem de erro de 2,83 pontos, o candidato do Novo aparece com 23,7% das intenções de voto, à frente de Gleisi Hoffmann (20,2%) e Alexandre Curi (19,8%).

O levantamento tem nível de confiança de 95%, e o Paraná disputa duas vagas nesta eleição ao Senado.

O TRE-PR determinou sigilo imediato aos documentos anexados por Dallagnol e deu 24 horas para ele se manifestar. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público, para apurar a quebra de sigilo de dados confidenciais.

Até a publicação desta reportagem, Dallagnol não havia se manifestado publicamente sobre o pedido de Zanin.