O presidente da CDL-BH e do Conselho do Sebrae Minas, Marcelo Souza e Silva, criticou o fim da escala 6x1 em entrevista à TV Sim Brasil. Ele disse que deputados do setor produtivo que votaram a favor do projeto, já aprovado no Congresso Nacional com ampla maioria e agora em análise no Senado, "trabalharam totalmente errado" ao apoiar a mudança.

A declaração foi dada em entrevista à TV Sim Brasil e à rádio 88.7 FM, ao lado do apresentador André. Souza e Silva também preside o Conselho Deliberativo do Sebrae Minas.

Souza e Silva defendeu que o Brasil precisa avançar em produtividade antes de discutir a redução da jornada. Segundo ele, muitas empresas hoje enfrentam falta de mão de obra, o que contraria a ideia de que o setor patronal quer apenas explorar trabalhadores.

"Inclusive, eu fiz declarações falando que deputados que são do setor produtivo, que votaram a favor dessa legislação que está passando lá no Congresso, trabalharam totalmente errado", disse o presidente da CDL-BH.

Para ele, aprovar a mudança sem um processo evolutivo faseado vai gerar informalidade. Comerciantes e pequenos empresários, disse, não vão conseguir contratar mais funcionários para cobrir as folgas extras e vão recorrer a contratações sem carteira assinada.

"Hoje, a nossa cultura, culturalmente, o brasileiro não aceita mais um supermercado fechado de domingo, você não tem um transporte efetivo também nessas datas, você não tem assistências de saúde, drogarias", afirmou ele.

Ele citou o comércio como o setor mais afetado. Restaurantes e outros negócios, disse, podem ter que fechar mais cedo ou reduzir um dia de funcionamento para cobrir as folgas extras dos funcionários, o que reduz a receita das empresas.

A alternativa em discussão no Senado

Como alternativa, Souza e Silva citou a PEC do senador Rogério Marinho, que propõe o pagamento por hora trabalhada em vez da jornada fixa. Para ele, esse modelo depende de entendimento direto entre patrão e trabalhador.

"É muito ali mesmo do entendimento do patrão com o trabalhador para que as coisas ocorram de maneira tranquila, garantindo todos os direitos do trabalhador", completou.

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Para o presidente da CDL-BH, a discussão sobre jornada não pode vir isolada de outros temas econômicos.

"Mas a gente tem que discutir outras coisas, equilíbrio fiscal, nós temos que discutir carga tributária elevada, nós temos que discutir inflação alta, juros altos", afirmou.

O projeto que acaba com a escala 6x1 já foi aprovado no Congresso Nacional com ampla maioria e aguarda votação no Senado. É lá que tramita também a PEC alternativa citada por Souza e Silva.