A 49ª Expointer, em Esteio (RS), termina neste domingo (6) com recorde de animais inscritos, mas o setor de máquinas agrícolas segue em ritmo lento pelo segundo ano seguido. Produtores endividados por perdas climáticas seguem com dificuldade de acesso a crédito.
Em 2025, a comercialização de máquinas e implementos na feira caiu para R$ 3,78 bilhões, queda de quase 49% ante os R$ 7,39 bilhões de 2024.
O total negociado na feira, somando todos os setores, recuou de R$ 8,1 bilhões para R$ 4,42 bilhões no mesmo período, retração de 45,5%.
Um coordenador de vendas da Yanmar admitiu a possibilidade de a edição de 2026 terminar abaixo do ano passado. O presidente do sindicato do setor de máquinas no RS (Simers) chamou o cenário pré-feira de "tempestade perfeita".
Como o produtor está driblando a falta de crédito
Eugênio Zanetti, presidente da Fetag-RS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), descreveu o momento como um "verdadeiro contorcionismo financeiro".
Produtores renegociam compromissos, consomem recursos próprios, buscam crédito comercial e recorrem a limite de cheque especial para continuar em dia, segundo a federação.
A tecnologia e a genética em exibição nos pavilhões não bastam para virar nova safra sem crédito para financiar o plantio.
O presidente regional do Sicredi relatou o mesmo padrão do lado bancário: o produtor está mais cauteloso, pesquisa mais antes de fechar negócio, e isso afeta diretamente a demanda por crédito e investimento.
Nem toda a feira sentiu o aperto do mesmo jeito. O Pavilhão da Agricultura Familiar teve recorde de participantes, com 509 empreendimentos de 216 municípios gaúchos, e vendeu R$ 2,32 milhões só nos dois primeiros dias.
O governador Eduardo Leite chamou a combinação de "perversa": adversidades climáticas somadas a juros elevados. Já o presidente do Sistema Ocergs, Darci Hartmann, cobrou agilidade do sistema financeiro.
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"O produtor precisa resolver o seu passado, para que ele possa se habilitar. A Mãe Natureza não espera", disse Hartmann.
O que acontece agora
O Conselho Monetário Nacional (CMN) ampliou nesta semana a renegociação de dívidas rurais ligadas a eventos climáticos, corrigindo brechas da resolução aprovada em julho. O prazo para contratar a recomposição da dívida vai até 12 de novembro.
A medida chega dois meses depois de o Banco do Brasil começar a renegociar R$ 100 bilhões em dívidas rurais, resultado de um acordo entre a bancada do agro e o governo fechado em julho.
Resta saber se o alívio chega a tempo de o produtor gaúcho voltar às compras na próxima Expointer.


























