A Volkswagen confirmou nesta sexta-feira (4) a venda direta do ID.4 no Brasil a partir de outubro, versão única "Pro" por R$ 299.990. É o primeiro elétrico puro da marca vendido em concessionária no país, e chega custando cerca de R$ 70 mil a mais que a BYD Yuan Plus, o elétrico mais vendido no mercado brasileiro.

O carro não é novidade: desde 2023 o ID.4 já rodava no Brasil só por assinatura, no programa Sign&Drive, com 204 cv e 370 km de autonomia.

A versão que chega às lojas ganhou 82 cv a mais (286 cv no total) e 75% mais torque.

Quem está ganhando a corrida do elétrico no Brasil

O mercado que a VW acaba de entrar já tem dono, mas ele está perdendo força. A BYD segue líder folgada, com 44,84% dos eletrificados vendidos no 1º trimestre de 2026, segundo a ABVE.

Só que essa fatia era de 54,32% um ano antes, uma queda de quase 9,5 pontos percentuais.

Quem cresceu não foi outra marca chinesa: foi a Toyota, que pulou da 3ª para a 2ª posição só com híbridos, sem vender nenhum elétrico puro no país.

A japonesa foi de 10,71% para 15,76% de participação em um ano, ultrapassando o híbrido flex da própria BYD e a GWM, que também perdeu espaço no período (de 16,76% para 14,31%).

Por que o carro chega mais caro

Parte da explicação está na Receita Federal, não só na engenharia alemã. O imposto de importação sobre elétricos, zerado até 2015, voltou a subir a partir de 2024.

A alíquota chegou ao teto de 35% em julho de 2026, mesmo mês em que passou a valer o teto também para híbridos plug-in e convencionais.

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Essa alíquota mais alta pesa sobre quem importa pronto, como a Volkswagen faz com o ID.4 alemão.

Rivais como a GAC, que já monta parte da linha no Brasil, sentem menos o efeito da tarifa. Ela é uma das sete marcas chinesas que devem chegar ao país até 2028.

O que a TV Sim observa

A estreia da Volkswagen prova que o elétrico puro no Brasil virou disputa também para marcas tradicionais, não só chinesas.

Mas o preço de entrada mostra o limite da estratégia: chegar tarde e caro, num mercado em que o consumidor já tem opção mais barata da própria líder.

Fica a pergunta que as vendas de outubro vão responder: o comprador brasileiro paga a mais pelo selo alemão, ou o caminho que está funcionando é o híbrido de entrada, como mostrou a Toyota?