O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deu 24 horas para a rede social X explicar por que 1.559 contas de candidatos ficaram de fora do filtro eleitoral da plataforma. O mecanismo deveria impedir a indicação desses perfis a quem não os segue, mas cobre hoje, segundo o X, só 665 contas.

A decisão atende a uma representação da coligação Brasil Pronto Pra Mais, formada por PT, PC do B, PV, PDT, PSB, PSOL e Rede em apoio à candidatura de Lula à reeleição. É o mesmo Mendonça que, dias antes, propôs ao TSE uma regra para diferenciar deepfake de conteúdo sintético nesta eleição.

O alvo da representação é a aba "Para Você" do X, onde um algoritmo recomenda publicações a quem o usuário não segue. Desde 2024, a resolução do TSE que rege esse tipo de recomendação algorítmica proíbe indicar perfis de candidatos durante a campanha, exceto quando o conteúdo é impulsionado e pago.

O X colocou em prática o próprio mecanismo de exclusão no início da propaganda eleitoral, em agosto, batizado internamente de "Brazil2026ElectionFilter".

Na petição, os partidos afirmam que "o código disponibilizado pela plataforma contempla 665 contas e que, mediante cruzamento com o cadastro oficial de redes sociais de candidaturas, foram identificadas outras 1.559 contas ausentes do filtro". Para Mendonça, a recomendação indevida pode ampliar, de forma progressiva e de difícil reversão, o alcance de determinadas candidaturas, criando assimetria entre quem está dentro e fora do mecanismo.

Até a publicação desta reportagem, o X não havia respondido publicamente à determinação.

O episódio não é isolado. Dias antes, a Meta, que enfrenta um processo movido pelos Estados Unidos, foi flagrada recomendando perfis de candidatos no Facebook, no Instagram e no Threads a quem não os seguia. A plataforma alegou estar em conformidade, mas só ajustou o sistema depois de ser questionada pela imprensa.

Os dois casos expõem o mesmo ponto cego da fiscalização eleitoral de 2026: a checagem prévia do TSE não pegou nenhuma das duas falhas. Em ambos, quem apontou o problema foi auditoria externa, das próprias campanhas ou da imprensa, não o tribunal.

O que acontece agora

O prazo de 24 horas dado ao X vence neste sábado (29). Mendonça pediu que a plataforma detalhe a fonte de dados usada para identificar perfis oficiais, a periodicidade de atualização do filtro e a diferença entre o código público divulgado e o sistema em produção.

A decisão também exige que o X mantenha o filtro sincronizado com o cadastro do TSE durante toda a campanha, até a véspera do primeiro turno, em 4 de outubro.