O Nepal elevou neste domingo (30) para 768 o número de mortos na enchente que atingiu a fronteira com a China na quarta-feira (26), segundo balanço das autoridades nepalesas. Outras 3.066 pessoas seguem desaparecidas, e o país pediu ajuda técnica internacional para as buscas.
O desastre começou quando um bloco de gelo e rocha colapsou na região de Rasuwa, na fronteira entre os dois países, e bloqueou o curso do rio Bhotekoshi.
Segundo pesquisadores citados pelo site científico Earthsky, a barragem natural formada pelo gelo e pelos detritos rompeu horas depois, liberando uma onda de água, lama e pedras rio abaixo, que atingiu também o rio Trishuli.
Do total de mortos, 752 estão no lado nepalês e 16 no lado chinês. Os desaparecidos somam 2.502 no Nepal e 564 na China, e incluem 261 estrangeiros do lado chinês, muitos deles peregrinos hindus que estavam na região.
Mais de 19.800 militares e policiais participam das buscas, que já resgataram 8.730 pessoas com vida. Equipes usam helicópteros para chegar a áreas de difícil acesso em Timure, Dhunche e Hakubesi, no lado nepalês, e transportam sobreviventes para centros médicos.
Não daremos um único passo atrás até que o último cidadão chegue a um local seguro
O texto foi publicado pelo Exército do Nepal em rede social neste fim de semana. O Nepal recusou inicialmente ajuda estrangeira de busca e resgate. O chanceler Shisir Khanal disse, no dia seguinte à enchente, que o governo estava gerenciando as buscas sozinho.
A posição mudou diante de lacunas técnicas que o país não tem condição de suprir sozinho, como resgate em túneis, identificação de corpos e testes de DNA. "Serão coletadas amostras de DNA e os corpos serão enterrados em um espaço aberto", disse Khanal.
A Índia enviou três voos com cerca de 60 toneladas de suprimentos, entre cobertores, remédios, comida e tabletes de purificação de água. O país também prepara uma equipe de resgate em túneis e uma força de resposta a desastres com pontes pré-fabricadas.
A China enviou cinco especialistas em túneis, com mais quatro a caminho, conforme a agência estatal Xinhua. O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, disse à Reuters que o país vai precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões para a reconstrução.
O Itamaraty informou, no dia da tragédia, que não havia registro de brasileiros entre as vítimas e disponibilizou assistência consular pelas embaixadas em Catmandu e Pequim.
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Não há atualização posterior que contrarie essa informação. Na véspera, o balanço já somava 675 mortos, também sem vítimas brasileiras registradas.
O que acontece agora
As buscas devem continuar nos próximos dias enquanto o Nepal negocia com Índia e China o envio de equipes técnicas de resgate em túneis. O balanço deve mudar à medida que corpos sejam identificados e a região seja vasculhada por completo.
O desastre começou com o colapso de uma geleira na fronteira Nepal-China, que já no primeiro dia deixava 160 mortos e 500 desaparecidos.




























