O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira (17) por uma dívida de R$ 17,32 bilhões. A lista de credores reúne bancos, uma seguradora, fundos de investimento, fabricantes de eletrônicos e o fisco, cada um com um interesse diferente no desfecho do processo.
"O documento revela a composição do passivo sujeito ao processo, reunindo seguradoras, bancos, fundos de investimento, fabricantes de eletroeletrônicos e o fisco", resume o material que embasa o pedido.
A rede já fechou lojas em Belo Horizonte nos dias seguintes ao pedido.
Quem são os maiores credores
O Banco Digio, ligado ao Bradesco, lidera a lista, com R$ 2,99 bilhões a receber. Na sequência vêm a seguradora Zurich Minas Brasil (R$ 1,98 bilhão) e o fundo IBCB-AF01 (R$ 1,09 bilhão).
Entre os fornecedores de eletrônicos, Samsung, Whirlpool, Electrolux, TCL Semp, LG e Motorola somam juntas mais de R$ 4,3 bilhões. O fisco estadual, com ICMS e parcelamentos, responde por quase R$ 2 bilhões.
Por que nem todo credor quer o mesmo desfecho
Bancos e a seguradora somam a maior fatia isolada do passivo. Esse tipo de credor costuma negociar com garantias e liderar os comitês formados em processos de recuperação judicial.
Já os fornecedores de eletroeletrônicos têm outro interesse: precisam que a Casas Bahia continue comprando e vendendo. Perder uma rede desse tamanho como cliente pesa tanto quanto o crédito a receber.
O fisco tem um terceiro tipo de posição: créditos tributários seguem regras próprias e nem sempre entram no mesmo plano de repactuação oferecido aos credores privados.
O que decide o próximo capítulo
A Justiça ainda precisa decidir se autoriza o processamento do pedido. Só depois disso a Casas Bahia apresenta um plano de reestruturação aos credores, dentro do prazo legal.
É esse plano que vai dizer se fornecedores e bancos aceitam abrir mão de parte da dívida para manter a rede funcionando, ou se o peso dos R$ 17,32 bilhões aponta para outro caminho.


























