A Anac suspendeu nesta terça-feira (18) a licença de quatro empresas de voos panorâmicos no Rio de Janeiro, citando falhas de manutenção e de registros de bordo. A decisão vem depois de três acidentes fatais com helicópteros na cidade neste ano, que já somam 13 mortes, a maioria delas em menos de dois meses.
A Anac fiscalizou 18 das 46 aeronaves autorizadas a operar na cidade, ligadas a 12 empresas. Nove já estavam suspensas antes desta nova rodada, que atingiu a Voos Rio Panorâmico, a Broad Fly, a Nobre Turismo e a Mr. Top Fly.
O acidente mais recente aconteceu em 8 de agosto, quando um helicóptero Robinson R44 da empresa VRP caiu no Parque Nacional da Tijuca, perto da Vista Chinesa.
Morreram o piloto Alessandro Rocha e as turistas colombianas Rocío Cubillos, de 59 anos, e Wendy Manrique, de 37. Uma quarta vítima, uma adolescente colombiana, também morreu.
"A gente não pode, de forma alguma, deixar de destacar o fato de que a gente está aqui há cerca de um ou dois meses de mais um acidente envolvendo helicópteros na cidade do Rio de Janeiro", disse o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), ao pedir à Anac a suspensão temporária dos voos panorâmicos.
Foi o segundo acidente fatal em menos de dois meses. Em 14 de junho, dois helicópteros colidiram em pleno voo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade, matando os seis ocupantes das duas aeronaves.
Entre as vítimas de junho estavam o cantor americano Oliver Tree, o youtuber argentino Gaspi, o diretor argentino Lucas A. Vignale e o DJ brasileiro Lucas Frota.
O padrão já havia sido sinalizado à Força Aérea Brasileira (FAB) antes do primeiro acidente fatal do ano.
Em 9 de dezembro de 2025, a NAV Brasil, autoridade de tráfego aéreo, alertou a FAB sobre picos que superavam 150% dos cruzamentos aéreos na região do Aeroporto de Jacarepaguá, na comparação com 2024, por causa do crescimento dos voos panorâmicos.
A resposta da FAB, em 23 de dezembro, foi de que as mudanças só seriam implementadas até junho de 2027.
É mais de um ano depois do alerta da NAV Brasil, e dez meses depois do acidente que matou seis pessoas em junho.
Nem o Cenipa, nem a Anac, nem a FAB definiram oficialmente a causa raiz dos acidentes até esta publicação.
O que muda até a próxima temporada de voos
O alerta da NAV Brasil chegou à FAB oito meses antes do acidente que matou seis pessoas em junho, e a resposta empurrou qualquer mudança estrutural para 2027.
A pergunta que fica é se a fiscalização anunciada hoje pela Anac, sobre manutenção e registros de bordo, resolve o problema identificado desde dezembro, ou se ataca apenas um sintoma dele.


























