O advogado Rafaell Câmara Roque, de 36 anos, foi sequestrado e mantido em cativeiro por cerca de seis horas em Cubatão (SP), em junho, por integrantes do PCC que tentavam obrigá-lo a desistir de uma ação trabalhista. Segundo ele, a facção depois o "condenou à morte" em um chamado tribunal do crime.
O caso aconteceu na noite de 11 para 12 de junho. Segundo relato do próprio advogado, ele foi atraído por uma falsa oferta de serviço e, ao chegar ao local combinado, foi levado a um barraco onde integrantes da facção o aguardavam.
No "julgamento", cerca de 30 integrantes participaram presencialmente, enquanto outros 20 acompanharam remotamente por chamada de vídeo, segundo o Povo.
Ele afirma ter ficado sob o poder do grupo por cerca de seis horas, período em que criminosos acessaram seu celular e ameaçaram divulgar arquivos pessoais caso não abandonasse a ação trabalhista movida contra um suposto integrante do PCC.
"Eu só não queria morrer, fiquei com medo", disse o advogado, segundo o ND+.
"Tenho que prezar pela minha vida. Fiquei sabendo que o Tribunal do Crime me decretou à morte", relatou.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, em 12 de agosto, a Operação Patrocínio Fiel para apurar o caso.
A força-tarefa do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), com apoio da Polícia Militar, cumpriu sete mandados de prisão e 19 de busca e apreensão em Guarujá, São Vicente, Praia Grande, Cubatão e Florianópolis (SC).
Mais de 110 policiais militares do Comando de Policiamento de Choque participaram da ação, incluindo tropas da Rota, do 3º Batalhão de Choque, do Canil e do Comando de Operações Especiais (COE), segundo o ND+.
Três dos sete alvos de prisão foram localizados e presos. Um suspeito de 28 anos morreu em confronto com a polícia durante a operação, em São Vicente. Os outros quatro seguem foragidos.
Em nota, o MPSP classificou os investigados como "apontados como importantes lideranças do PCC com atuação na Baixada Santista" e informou que a investigação segue em sigilo.
Rafaell afirma estar sob proteção e iniciou um processo de mudança de cidade por motivos de segurança, segundo o ND+.


























