Bancários de todo o país aprovaram nesta segunda-feira (17) uma paralisação nacional de 24 horas para a próxima quinta-feira (20), depois de rejeitar por 97% dos votos a proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). A categoria cobra aumento real de salário e do piso de ingresso, entre outras reivindicações.

A paralisação em si foi aprovada por 89,34% dos votantes nas assembleias de segunda-feira. O gatilho foi a 7ª rodada de negociação, na quinta-feira (13).

Nela, os bancos propuseram congelar o piso salarial de quem está entrando na carreira e oferecer reajustes diferenciados por três faixas salariais, sem informar os percentuais de cada faixa.

Segundo o Comando Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, a pauta de reivindicações também inclui valorização dos tíquetes de refeição e alimentação, aumento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e a criação de um piso salarial específico para trabalhadores de TI do setor.

Os bancos, na mesma rodada, propuseram reduzir o valor dos vales-refeição e alimentação em agências de cidades do interior. Diante da resistência dos sindicatos, ameaçaram acionar o Tribunal Superior do Trabalho (TST) para validar a redução.

"Não aceitaremos retirada de direitos. Vamos defender a minuta aprovada pelos bancários e bancárias, por aumento real, valorização nos pisos, tíquetes, PLR e criação de um piso para os trabalhadores de TI", disse Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

O que diz a Fenaban

Procurada pela imprensa, a Fenaban afirmou que recebeu a pauta de reivindicações há cerca de dois meses. "As negociações seguem o cronograma estabelecido e esperamos, ao longo desse processo, alcançar um entendimento satisfatório para as duas partes", informou a entidade, em nota.

A federação não se posicionou publicamente sobre a paralisação de quinta-feira nem sobre a cobrança dos sindicatos por um índice de reajuste, que ainda não veio à mesa em nenhuma das sete rodadas realizadas até 13 de agosto.

A mobilização não fica restrita à capital paulista, onde fica a sede da Fenaban. Sindicatos de bancários de Belo Horizonte e região confirmaram adesão à paralisação de quinta-feira, na mesma linha adotada pelo Comando Nacional.

É a 8ª rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada de 2026 que estava marcada para esta terça-feira (18), véspera da paralisação. Nenhuma das sete rodadas anteriores chegou a um índice de reajuste concreto.

Se não houver acordo até lá, as agências bancárias do país devem operar com equipe reduzida ou fechadas na quinta-feira, dependendo da adesão em cada cidade. Consumidores com serviços presenciais marcados para o dia têm sido orientados pelos sindicatos a buscar alternativas digitais.