O etanol hidratado subiu mais de 20% nas usinas de São Paulo desde o fim de julho, e a alta já aparece na bomba para quem tem carro flex. O litro saiu de cerca de R$ 2,00 para R$ 2,46 nas usinas, segundo o Cepea.
Três fatores puxam o preço para cima. Chuva atrasa a moagem da cana, o açúcar sobe no mercado internacional, e o consumo de etanol no país bate recorde.

As usinas paulistas sentem o efeito primeiro.
Agentes estão preocupados sobre quanto de cana-de-açúcar ainda deve ser processado até o fim da moagem e quanto de produto estará em estoque nos próximos meses, visto que as atividades estão paralisadas e atrasadas.
Na semana de 8 a 11 de setembro, o etanol hidratado subiu 2,63%, para R$ 2,4622 o litro, e o anidro avançou 2,32%, a R$ 2,8475. A Conab havia elevado a previsão de safra de cana para 705,2 milhões de toneladas em 2026/27.
O mercado paulista também sente o reflexo do açúcar. Preocupações com quebra de safra na Europa e na Ásia dispararam a cotação internacional da commodity, que compete com o etanol pela cana processada nas usinas.
Não é o único combustível sob pressão. Mesmo com subsídio do governo, o diesel também ficou até 14,4% mais caro nas últimas semanas, alta que atinge caminhoneiros e o transporte de cargas.
O que muda no tanque do carro flex
Em Belo Horizonte, o etanol custava entre R$ 3,89 e R$ 4,22 o litro nas bombas, contra R$ 4,79 da gasolina. A tradicional regra dos 70% ainda serve de referência, mas não é mais universal para todo carro flex.
A regra funciona da seguinte forma. Se o litro do etanol custar até 70% do preço da gasolina, ele compensa; acima disso, a gasolina rende mais quilômetros por real.
A conta mudou em 1º de agosto, quando a gasolina brasileira passou a ter 32% de etanol anidro na mistura, ante 30% antes.
Em estados produtores de cana, como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás, o etanol costuma ficar abaixo dos 70% do preço da gasolina e compensar. No Sul e no Nordeste, a relação costuma passar de 75%, e a gasolina compensa mais.
Até lá, a régua dos 70% muda de estado para estado, e de carro para carro.
O ponto em aberto
O Cepea, que monitora os preços agrícolas do setor, não arrisca uma data para o fim da alta. A previsão de mais chuva para os próximos dias mantém a incerteza sobre quanto ainda resta de cana para moer nesta safra.
Enquanto isso, o preço no posto também está sob escrutínio. O Senacon investiga 12 empresas de combustíveis por preço abusivo. A alta nas usinas é real, mas nem toda variação na bomba tem a mesma explicação.





























