Andrea Moretti, trabalhador de 22 anos, morreu nesta quarta-feira (23) ao cair enquanto instalava um sistema de iluminação no Coliseu de Roma. O acidente ocorreu no segundo nível do monumento, fechado ao público, segundo o Ministério da Cultura da Itália.
Em comunicado, a primeira-ministra Giorgia Meloni disse estar "profundamente chocada e entristecida com a notícia da trágica morte de Andrea Moretti".
Morrer aos 22 anos é inaceitável, ainda mais quando acontece no local de trabalho.
A frase resume a reação do governo italiano ao acidente, que reacende o debate sobre segurança no trabalho no país.
O Coliseu, maior anfiteatro do mundo, foi construído no século 1 e tinha capacidade para 50 mil espectadores na Roma Antiga. Hoje recebe até 20 mil visitantes por dia na alta temporada.
O que os números mostram sobre segurança no trabalho na Itália
A Itália já ultrapassou a marca de mais de 1.000 mortes no trabalho em 2026, segundo o INAIL, instituto público de seguro contra acidentes. No primeiro semestre, foram 342 óbitos notificados, queda frente aos 357 do mesmo período de 2025.
Os números indicam que o problema mudou de forma, mais notificações e doenças, mas nem sempre de tamanho. As notificações de acidentes não fatais subiram 4,7% no mesmo semestre, para 213.985 casos, e as doenças profissionais registradas cresceram 16,7%, para 59.480 casos.
Sindicatos italianos cobram mais investimento em prevenção: apenas 0,4% dos recursos do Fundo Nacional de Saúde do país vão para segurança no trabalho. A Inspetoria Nacional do Trabalho encontrou 82% de irregularidade nas fiscalizações realizadas.
Como o Brasil se compara
O Brasil também bate recordes de acidentes de trabalho: foram 3.644 mortes em 2025, e 1.689 só no primeiro semestre de 2026, alta de mais de 5% sobre o mesmo período do ano anterior.
Enquanto a Itália registrou queda nas mortes do primeiro semestre, o Brasil segue em trajetória de alta. Entre 2020 e 2025, os acidentes de trabalho no país cresceram 65,8% e os óbitos, 60,8%.
O trabalhador brasileiro pode emitir a comunicação de acidente mesmo se a empresa recusar, e tem direitos que muitas vezes desconhece, segundo especialistas em direito trabalhista.
O ponto em aberto
A Itália segue somando mais de mil mortes no trabalho em 2026, mesmo com queda nos óbitos notificados no primeiro semestre.
A pergunta que os próprios sindicatos italianos levantam é se os 0,4% do Fundo Nacional de Saúde hoje destinados à prevenção bastam para reverter a taxa de 82% de irregularidade encontrada pela fiscalização trabalhista do país.





























