O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) deu 24 horas para o candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo) explicar por que anexou dados fiscais e bancários sigilosos do ministro do STF Cristiano Zanin ao processo de registro de sua candidatura.
"Solicito a vossa senhoria providências objetivando sanar essa ilegalidade bem como as comunicações devidas objetivando a responsabilização dos envolvidos, inclusive no âmbito criminal", escreveu Zanin em ofício enviado ao TRE-PR neste sábado (5).
De onde vieram os documentos
O material foi obtido em 2019, durante a Operação Lava Jato, quando Zanin defendia o ex-presidente Lula (PT), e depois foi declarado nulo pela Justiça. Dallagnol extraiu os dados de reclamações abertas por ele mesmo contra o ex-procurador no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
O que ele anexou à sua defesa na Justiça Eleitoral não parou em Zanin. O material inclui dados fiscais e bancários da mulher do ministro, do sogro, de uma cunhada e do escritório de advocacia do qual Zanin foi sócio antes de assumir o STF.
Segundo o TRE-PR, o processo de registro de candidatura de Dallagnol soma mais de 5.000 páginas. O tribunal determinou sigilo imediato aos documentos fiscais e bancários e encaminhou o caso ao Ministério Público para apurar o vazamento.
Dallagnol diz que só exerceu direito de defesa
A defesa de Dallagnol reagiu em nota. Segundo o texto, os dados são "essenciais para a decisão da Justiça Eleitoral" e o candidato "jamais teve a intenção de expor dados" de Zanin.
A nota diz ainda que o objetivo foi "exercer com plenitude o direito político de candidatura, demonstrando cabalmente sua elegibilidade". O desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza conduz o caso no TRE-PR e fixou o prazo de 24 horas para a explicação.
Do outro lado, o PT sustenta que Dallagnol é inelegível e diz que ele só escapou de punição do CNMP por ter renunciado ao cargo antes da responsabilização. Ele concorre ao Senado com Sergio Moro, colega na chapa da dupla da Lava Jato.
A corrida ao Senado no estado tem três candidatos tecnicamente empatados. Num páreo tão apertado, qualquer episódio capaz de desgastar um concorrente pesa no resultado final.
O que acontece agora
O Ministério Público vai apurar o vazamento, e o prazo de 24 horas para Dallagnol se explicar corre a partir deste sábado (5).
O episódio é o desdobramento mais recente de uma disputa que já rendeu a própria exposição do sigilo de Zanin dias atrás.




























