Produtores brasileiros já comercializaram 29,1% da safra de soja 2026/27, a que será colhida no início do próximo ano, até 4 de setembro, segundo levantamento da consultoria SAFRAS & Mercado. O volume equivale a cerca de 52,42 milhões de toneladas de uma safra projetada em 180,08 milhões de toneladas.
O ritmo supera os 20,2% negociados no mesmo período do ciclo 2025/26 e também fica acima da média histórica dos últimos cinco anos, de 22,7%.
Por que o produtor está vendendo mais rápido
O gatilho é o preço. A soja negocia acima de R$ 150 a saca nos portos brasileiros, enquanto o contrato futuro de novembro em Chicago fechou a US$ 12,93 por bushel, com o vencimento de março batendo US$ 13,30 e ganho semanal acumulado de 1,8%.
Para o analista Rafael Silveira, da SAFRAS & Mercado, ainda há espaço para o preço subir em Chicago, com o comportamento do El Niño como fator determinante. Ele recomenda equilíbrio entre aproveitar a alta e manter gestão prudente de risco.
Quem vende mais rápido, e quem segura a safra
O ritmo de vendas varia muito entre os estados. Tocantins lidera com 42% da safra já negociada; Mato Grosso vem logo atrás, com 41%, mais de 20,5 milhões de toneladas. Piauí está em 36% e Maranhão em 35%.
Do lado mais cauteloso, o Rio Grande do Sul vendeu apenas 15% da safra e Santa Catarina, 16%, por causa de incertezas climáticas ligadas ao El Niño muito forte deste ciclo. Para comparação, o ciclo anterior, 2025/26, fechou com 88,7% de comercialização.
O que acontece agora
A consultoria StoneX elevou em 0,2 ponto percentual sua estimativa para a safra brasileira 2026/27, agora projetada em 183,5 milhões de toneladas, com revisão positiva em três regiões produtoras.
O bom momento do campo já apareceu nos números oficiais: a agropecuária cresceu 2,8% no segundo trimestre e voltou a puxar o PIB brasileiro.
O agronegócio também esteve em evidência na última semana, quando a Expointer terminou com a pista cheia, mas negócio de máquina emperrado.


























