A JBS apresentou nesta terça-feira (18) uma proposta não vinculante para comprar as ações da Pilgrim's Pride que ainda não possui, a subsidiária americana de frango. A oferta troca 2,086 ações Classe A da JBS para cada ação da Pilgrim's Pride, negócio avaliado em cerca de US$ 1,2 bilhão. A JBS já controla 82% da empresa.

De acordo com o comunicado enviado à SEC, a operação depende da aprovação de um comitê de diretores independentes da Pilgrim's Pride e da maioria dos acionistas minoritários da PPC. Se aprovada, a Pilgrim's Pride sai da Nasdaq e é retirada de registro.

Segundo Jeremiah O'Callaghan, presidente do conselho da JBS, a JBS e a Pilgrim's Pride trabalham juntas há mais de 16 anos, período em que a companhia americana expandiu operações e cresceu em receita.

O'Callaghan afirma que a proposta permite aos acionistas da PPC continuar participando do desempenho da empresa, agora dentro de uma plataforma global maior e mais diversificada.

A proposta não é vinculante. A JBS pode retirá-la ou alterá-la a qualquer momento, e diz não ter interesse em vender a fatia que já possui na companhia.

O que muda para quem tem ação da JBS na B3

Quem tem ação da JBS negociada na B3 não precisa fazer nada agora. A operação não depende de aprovação dos acionistas da JBS, apenas do lado americano da Pilgrim's Pride.

Desde 9 de junho de 2026, os papéis da JBS chegam ao investidor brasileiro como BDR sob o código JBSS32, na B3, enquanto as ações Classe A passaram a ser negociadas em Nova York sob o código JBS.

As ações da Pilgrim's Pride chegaram a subir 7% no pregão estendido em Nova York depois do anúncio, enquanto os papéis da JBS avançaram cerca de 1%, segundo a Reuters.

Um analista do JPMorgan avalia que pagar em ações, em vez de dinheiro, é vantajoso para a JBS neste momento, porque preserva caixa e reflete um valor relativo favorável entre as duas companhias.

A Pilgrim's Pride ainda acumulava queda de 27% em 2026 até a véspera do anúncio, e a JBS recuava 5% no mesmo período.

Uma proposta que já falhou uma vez

A relação entre as duas empresas começou em dezembro de 2009, quando a JBS assumiu o controle da Pilgrim's Pride comprando 64% das ações por US$ 800 milhões, logo depois de a companhia sair de uma recuperação judicial aberta em 2008.

A JBS ampliou a fatia aos poucos até os atuais 82%, mas já tentou fechar o capital da Pilgrim's Pride antes.

Em 2021, ofereceu US$ 26,50 por ação e depois elevou a oferta para US$ 28,50, valores que o comitê independente da PPC rejeitou por considerar baixos demais. Sem acordo sobre o preço, a JBS retirou a proposta em fevereiro de 2022.

O que pode travar o negócio

A nova oferta parte de US$ 28,49 por ação, referência que ainda depende do aval do comitê independente e da maioria dos acionistas minoritários da Pilgrim's Pride.

Em 2021, foi o preço oferecido, não a resistência à ideia de fechar capital, que travou a negociação. Fica em aberto se o histórico se repete, ou se as duas companhias chegam a um número que agrade aos dois lados.