A arrecadação do governo federal somou R$ 235,6 bilhões em agosto, segundo a Receita Federal. É o maior valor já registrado para o mês desde o início da série histórica, em 1995, com alta real de 8,25% sobre agosto de 2025.

O número chama atenção por um contraste: ante julho, quando somou R$ 289,3 bilhões, agosto teve queda real de 18,33%. A Receita atribui a diferença a fatores sazonais e ao calendário de recolhimento dos tributos, não a uma reversão de tendência.

Uma parte do recorde vem de mudanças na legislação tributária dos últimos anos: tributação de fundos exclusivos de alta renda e de offshores, cobrança sobre subvenções estaduais e reoneração gradual da folha de pagamentos.

Somam-se o fim dos benefícios do Perse para eventos, a taxação das bets, a alta do IOF sobre crédito e câmbio e mais imposto sobre juros sobre capital próprio.

Também pesou o preço mais alto do petróleo, elevado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Isso aumentou as receitas do governo com royalties e participação na extração, além da taxação extra sobre exportações.

No detalhamento por tributo, o IRPJ e a CSLL somaram R$ 34,1 bilhões em agosto, alta real de 13,09%, puxados pelo desempenho de empresas que recolhem por estimativa mensal.

Já o IRRF sobre ganhos de capital saltou 33,21%, para R$ 12,7 bilhões, com rendimentos maiores de títulos de renda fixa e a tributação de dividendos.

O Imposto de Importação somado ao IPI vinculado à importação chegou a R$ 11,8 bilhões, alta real de 22,66%, influenciado por avanço de 8,48% no valor em dólar das importações.

No acumulado de janeiro a agosto, a arrecadação total da União chegou a R$ 2,11 trilhões, alta real de 7,12% e também recorde para o período. A contribuição previdenciária, maior fonte isolada, somou R$ 507,2 bilhões no ano.

O ponto em aberto

O governo tem meta de fechar 2026 com saldo positivo de 0,25% do PIB, cerca de R$ 34,3 bilhões, dentro de uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual.

A arrecadação recorde ajuda a mirar esse número, mas a queda de agosto ante julho mostra que o resultado mês a mês ainda oscila. A pergunta que os próximos boletins vão responder é se o ritmo se sustenta até dezembro.

A Receita Federal apresentou os dados de agosto nesta terça-feira (22), na sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. Esse mesmo debate já havia aparecido em agosto passado, quando a arrecadação bateu recorde mesmo com o déficit em alta.

O tema voltou a surgir depois que junho também fechou com recorde para o mês, e em paralelo com a dívida pública subindo mesmo com o governo arrecadando mais do que gastou em julho.