As exportações brasileiras de rochas naturais caíram 2,3% entre janeiro e agosto deste ano ante 2025, para US$ 964,2 milhões (R$ 4,97 bilhões). A queda vem diminuindo mês a mês e teve recuperação em agosto, mesmo com a nova tarifa dos EUA sobre o setor.

O quartzito, porém, ficou de fora dessa cobrança. A rocha foi excluída da tarifa de 25% em vigor desde 22 de julho, no mesmo pacote que derrubou as exportações brasileiras aos EUA em 9,7% logo depois de entrar em vigor.

A tarifa vem de uma investigação de comércio da Seção 301, aberta pelos Estados Unidos em julho de 2025. Os Estados Unidos seguem como o principal comprador das pedras brasileiras, enquanto a balança comercial do país testa a meta oficial do ano.

"50% do que exportamos vai para os Estados Unidos. É nosso principal mercado. O mercado americano é o que realmente movimenta o negócio", disse Tales Machado, representante do Centrorochas, associação que reúne o setor.

Quem sente mais o efeito da tarifa

Quem sente mais o efeito é o produtor de granito, mármore e ardósia sujeito à tarifa cheia: o setor exportou US$ 364,3 milhões aos EUA no primeiro semestre, queda de 14,4% em volume ante 2025, segundo o Centrorochas.

O quartzito, isento, seguiu direção oposta e ajudou a puxar a recuperação registrada em agosto. Ficar de fora da tarifa virou vantagem competitiva justamente no momento em que o restante do setor perde mercado para a alíquota cheia.

A produção do setor está concentrada no Espírito Santo, que respondeu por 78,5% do valor exportado pelo Brasil em 2025. Serra e Cachoeiro de Itapemirim disputam a liderança municipal, com 31,2% e 31,1% das vendas externas do estado entre janeiro e maio.

O mármore, que soma 6,1% das exportações do setor, vem principalmente de Cachoeiro de Itapemirim. Minas Gerais sentiu impacto parecido do lado das joias: as vendas ao mercado americano caíram 20%, de US$ 90 milhões para US$ 70 milhões em 2025, segundo o Sindijoias-Ajomig.

A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) cobra do governo federal "ação firme, técnica e coordenada" para exceções tarifárias. Brasília, enquanto isso, segura a Lei da Reciprocidade Econômica na aposta de um acordo mais amplo com os EUA.

O setor de rochas, no fim das contas, segue dividido entre o alívio do quartzito e a tarifa cheia sobre granito e mármore.