Donald Trump discursa nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU em meio a duas tensões com a organização: os EUA devem cerca de US$ 1,5 bilhão à entidade e negaram vistos a diplomatas da Rússia, do Irã e da Palestina.
O orçamento regular da ONU para 2026 é de US$ 3,45 bilhões, dos quais os EUA são obrigados a bancar até 22%. Ainda assim, o país não fez nenhum pagamento ao orçamento regular no ano anterior.
Os Estados Unidos também se retiraram de mais de 60 organizações internacionais, 31 delas ligadas à ONU, e prometeram US$ 2 bilhões em ajuda humanitária para 2026, bem abaixo dos mais de US$ 10 bilhões destinados em 2024.
Trump justifica os cortes dizendo que as organizações afetadas operam "contra os interesses nacionais dos EUA", citando o tratado do clima e um órgão de igualdade de gênero. O pagamento de parte das cotas de 2026 depende do cumprimento de nove reformas exigidas pelos EUA.
A ONU lamentou a decisão. O secretário-geral, António Guterres, afirmou que o financiamento americano para boa parte desses órgãos é obrigatório, não uma escolha.
Quem mais reclamou dos vistos negados pelos EUA
O acordo de sede da ONU, firmado em 1947, obriga os Estados Unidos a permitir a entrada de diplomatas estrangeiros em Nova York para a Assembleia Geral. Mesmo assim, Washington negou vistos a autoridades e jornalistas da Rússia, do Irã e da Palestina.
O Kremlin classificou como um ato "hostil" a negação de visto ao vice-ministro das Relações Exteriores russo, Alexander Alimov. O porta-voz Dmitry Peskov disse que a medida contraria as obrigações dos EUA como país-sede da ONU e que Moscou vai levar o assunto a Washington.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, foi mais direto: acusou os EUA de tentar "esconder a verdade" ao negar vistos a jornalistas iranianos e disse que Washington está construindo uma nova "Cortina de Ferro".
Do outro lado do Atlântico, o Brasil reage à crise multilateral: Lula lançou uma frente por reforma da ONU pouco antes da Assembleia Geral.
A tensão financeira coincide com outra incerteza dentro da própria ONU: o mandato de Guterres está no fim, e a sucessão segue indefinida.
Trump, enquanto isso, também tem uma agenda bilateral cheia em Nova York: mais cedo nesta terça, encontrou a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez.
O que está em jogo para a ONU
A ONU tenta equilibrar dois processos: a reforma UN80, lançada por Guterres para cortar custos, e a pressão de um financiador para mudar prioridades sob ameaça de corte. As nove reformas exigidas pelos EUA ajudam a medir quanto dessa agenda a organização ainda pode resistir.








































