Os credores da Braskem estão exigindo que os acionistas controladores da petroquímica, Petrobras e IG4 Capital, injetem US$ 3 bilhões em capital novo. A informação é da agência Bloomberg, que ouviu pessoas a par das negociações de reestruturação da dívida.

A empresa está em recuperação extrajudicial desde agosto, com dívidas que somam R$ 56,5 bilhões (cerca de US$ 11 bilhões).

Por que as negociações travaram

Um grupo de detentores de títulos de dívida emitidos pela Braskem no exterior pediu aos controladores um compromisso firme de aportar capital. Os próprios credores, por sua vez, não colocariam dinheiro novo na empresa.

Eles rejeitaram a proposta anterior da Braskem, que pedia US$ 2 bilhões dos credores: US$ 1,25 bilhão para recomprar dívidas existentes por até metade do valor de face, e US$ 750 milhões para capital de giro.

A Petrobras tem participado mais ativamente das negociações e quer evitar que a Braskem entre em recuperação judicial. Até agora, porém, não se mostrou disposta a assumir o compromisso vinculante de aporte exigido pelos credores.

A divergência é grande o bastante para que a recuperação judicial, opção mais dura para os credores, tenha voltado a ganhar força nas discussões, segundo a Bloomberg.

O histórico da crise na maior petroquímica da América Latina

A Braskem enfrenta anos de turbulência: reduziu caixa após o desastre ambiental de afundamentos em Maceió e amargou um longo período de preços deprimidos no setor petroquímico.

Tentativas fracassadas da controladora Novonor, ex-Odebrecht, de vender sua fatia de controle agravaram os problemas. Em agosto, a B3 tirou a Braskem do Ibovespa por causa do pedido de recuperação extrajudicial, que a Justiça aceitou processar nas semanas seguintes.

Procuradas pela Bloomberg, a Braskem disse que segue empenhada em uma solução consensual e não comentou mais. A IG4 não quis comentar, e a Petrobras não respondeu ao pedido de posicionamento.

O que acontece agora

Os dois lados seguem distantes de um acordo extrajudicial. Se as negociações não avançarem, a recuperação judicial pode se tornar o próximo capítulo da crise que já tirou a Braskem do principal índice da bolsa brasileira.