O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta terça e quarta-feira (15 e 16 de setembro) para decidir se reduz a Selic de 14% para 13,75% ao ano. No mesmo dia, o Federal Reserve decide sobre os juros dos Estados Unidos, com o mercado agora apostando em alta, e não em corte.

A coincidência de datas é conhecida no mercado financeiro como "Super Quarta". No domingo (13), à margem do torneio de golfe Irish Open, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que os Estados Unidos "deveriam ter a menor taxa de juros do mundo".

A fala de Trump vai na contramão do que o próprio mercado americano espera. A reunião do Fed ocorre menos de uma semana depois de o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos registrar sua maior alta em quatro meses.

O dado fez investidores passarem a considerar uma elevação da taxa americana, hoje entre 3,50% e 3,75% ao ano.

Por que os juros vão em direções opostas?

Os juros vão em direções opostas porque respondem a economias diferentes. Nos EUA, a inflação surpreendeu e pressiona o Fed a subir a taxa. No Brasil, o Índice de Preços ao Consumidor recuou em agosto, abrindo espaço para o Banco Central seguir cortando.

Um diferencial de juros menor entre os dois países torna o real menos atrativo ao investidor estrangeiro que busca ganho com juro alto, o chamado carry trade.

Esse mecanismo já apareceu em decisões anteriores do Fed neste ano, como mostrou o payroll americano que mexeu com o dólar em setembro.

O corte de 0,25 ponto percentual já era esperado pelo mercado antes mesmo da declaração de Trump, como mostrou a análise sobre a decisão desta semana do Copom. Seria o quinto corte seguido, depois de a Selic sair de 14,25% para 14% em agosto.

O comunicado do Banco Central, porém, deve vir mais duro, sinalizando cautela para os próximos meses.

Trump já havia usado o tom mais duro publicamente. Duas semanas antes do encontro de domingo, ele publicou em rede social uma ameaça direta aos parceiros comerciais dos EUA.

Reduza os juros ou vou parar de negociar com países com os quais temos déficit

O presidente americano argumentou ainda que, com "o melhor crédito do mundo", os EUA estariam "enriquecendo outros países" ao manter juros mais altos que outras economias. A reunião do Fed ocorre poucas semanas antes das eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos.

Pesquisas do instituto Reuters/Ipsos apontam eleitores americanos preocupados com o poder de compra.

O que acontece agora

O Copom anuncia a decisão sobre a Selic na noite de quarta-feira (16), depois de dois dias de reunião. O Fed divulga sua decisão mais cedo no mesmo dia, junto com novas projeções econômicas para os Estados Unidos.

O dólar fechou a última sessão cotado a R$ 5,12, após passar perto de R$ 5,13 no início do mês por causa da alta do petróleo.

O mercado espera que o anúncio desta semana seja absorvido sem grandes sobressaltos, em um 2026 marcado pela valorização do real frente ao dólar. Dias de Super Quarta, ainda assim, costumam trazer mais volatilidade a ações, moedas e títulos.