O ilustrador Vicente Pessôa, desclassificado do Prêmio Jabuti em 2023 por usar inteligência artificial, afirma que a regra do prêmio contra IA "força todo mundo a mentir". Ele está de volta como semifinalista de 2026, na categoria capa, com outro livro.
Pessôa diz usar inteligência artificial generativa desde o segundo semestre de 2022. Em 2023, usou o Midjourney na capa de "Frankenstein", de Mary Shelley, e foi desclassificado do prêmio por isso.
Desta vez, o ilustrador diz ter sido orientado pela editora a não usar IA no projeto. "Eu usei o Midjourney para gerar uma imagem e desenhei com base nessa referência", afirma.
Questionado se acha que descumpriu a orientação da editora, Pessôa respondeu: "Não sei".
Para o designer, a IA é apenas uma ferramenta. Ela substituiu buscas de imagens no Google e no Archive.org por prompts no ChatGPT e no Claude.
O regulamento do Jabuti veta concorrentes que usaram IA em "tarefas autorais" (a redação dos elementos textuais e a concepção da obra).
"O Jabuti está forçando todo mundo a mentir e premiando a mentira", diz Pessôa.
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Outro semifinalista da categoria capa, Daniel Brito, discorda. Para ele, integrar a IA ao processo criativo tende a empobrecer o resultado, embora não defenda banir a ferramenta.
"Fizemos um ensaio no Liceu de Artes com um drone. Na diagramação, usei Photoshop para tratamento de imagem e correção de angulação", conta Brito, sobre a capa do livro "Anônimos".
O caso expõe uma linha cada vez mais difícil de traçar: onde termina a referência visual e onde começa a obra gerada por IA.
Pessôa já havia sido confirmado como semifinalista em setembro. Na época, o Jabuti anunciou os semifinalistas de suas 23 categorias, incluindo nomes como Itamar Vieira Jr.
A polêmica não é exclusividade brasileira. Em setembro, o Prêmio Goncourt retirou um livro suspeito de ter sido escrito por IA.
O episódio francês teve um efeito colateral. As vendas do livro suspeito dispararam depois da repercussão.





























