A Academia Goncourt retirou nesta sexta-feira (25) o romance "C'était ça ou mourir", do escritor Thélyson Orélien, da lista de candidatos ao prêmio literário mais importante da França. A decisão veio após acusações de uso de inteligência artificial e de plágio.
Tudo começou no início da semana, quando uma conta anônima na rede X afirmou que o livro, um fenômeno literário na França, havia sido escrito "quase inteiramente" com uso de IA.
A Academia Goncourt afirmou ter se baseado em análises técnicas para tomar a decisão.
Resultados convergentes de diversas análises realizadas por pesquisadores e jornalistas confiáveis demonstram que 'C'était ça ou mourir' é, muito provavelmente, em grande parte produto de inteligência artificial.
Dois dias depois das acusações de IA, vieram também denúncias de plágio. Os textos teriam sido publicados há mais de uma década no Canadá, país onde Orélien chegou em 2010. A editora canadense Boréal suspendeu as atividades promocionais do livro.
Orélien, de 38 anos, disse à agência AFP que está "pronto para se pronunciar quando as coisas se acalmarem". Segundo o autor, existe "esse desejo não só de atacar o livro, mas sobretudo a minha voz [...], de me silenciar".
Por trás da conta anônima está o ensaísta francês Samuel Fitoussi, que admitiu a autoria nesta sexta-feira, dizendo se tratar de um "projeto coletivo". Colaborador do jornal conservador Le Figaro, ele defendeu a iniciativa por temer o efeito da IA sobre a literatura.
A controvérsia abalou o mundo literário francês e reacende, em outros países, o debate sobre como a inteligência artificial pode afetar a indústria editorial.
Casos parecidos já apareceram em outras frentes da indústria criativa. A Universal Music e o TikTok firmaram acordo para combater música feita por IA sem autorização.
No mercado editorial, o tema já provoca debate no Brasil. A inteligência artificial também revoluciona e gera controvérsias no mercado de livros independentes.
Outros países já reagem à disputa entre criadores e IA. O Reino Unido autorizou sites a bloquear o uso de conteúdo por IA do Google.
O caso reabre a pergunta sobre até onde vai a fronteira entre autoria humana e ferramenta de IA na literatura.
O que acontece agora
Orélien afirmou que vai se pronunciar quando a repercussão diminuir, mas ainda não respondeu publicamente às acusações de plágio. A Academia Goncourt segue com o processo de escolha do vencedor desta edição sem o autor na disputa.





























