O Irã mudou a tática de ataques a navios no Estreito de Ormuz há cerca de dez dias, segundo autoridades iranianas ouvidas pela Reuters. Cinco embarcações foram atingidas na região em 48 horas, e o Brent chegou a US$ 106,30 o barril nesta quarta-feira (14).
A mudança ampliou as operações para o Golfo de Omã e alterou o tipo e o ritmo dos ataques, segundo as mesmas autoridades, que não deram mais detalhes da nova estratégia à reportagem internacional.
Um navio porta-contêineres e um petroleiro foram atingidos por projéteis de origem não identificada em Ormuz, segundo a UK Maritime Trade Operations (UKMTO), agência ligada à Marinha britânica.
Em área próxima ao Catar, o navio-tanque Acers, de bandeira de Antígua e Barbuda, também foi atingido. Foi o primeiro ataque ali em mais de seis meses. Dias antes, um petroleiro já havia explodido ao bater em uma mina no estreito.
Nem o Irã nem a Guarda Revolucionária reivindicaram os ataques.
Um oficial militar dos EUA confirmou à Reuters que a Guarda Revolucionária Islâmica mudou a tática depois de perder boa parte da capacidade de radar, e passou a usar observadores desarmados em pequenas embarcações para identificar alvos.
Na semana passada, forças dos EUA destruíram uma dessas embarcações de observação, sem vítimas. O secretário de Estado americano, Marco Rubio chegou a dizer que Teerã perdeu o controle do estreito, o que o governo iraniano nega.
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Por que a mudança mira as eleições dos EUA?
A mudança de tática busca manter o petróleo caro e elevar o custo econômico do conflito para os EUA antes das eleições legislativas de 3 de novembro, um momento politicamente sensível, segundo as autoridades iranianas ouvidas pela Reuters.
O Irã tenta fazer o preço do petróleo pesar no resultado das urnas americanas enquanto o próprio país perde receita. Em setembro, o Irã ficou sem exportar petróleo pela primeira vez, segundo dado divulgado neste mês.
Após a notícia das novas táticas, os contratos futuros de Brent e WTI chegaram a subir mais de US$ 1 na abertura dos negócios desta quarta, antes de estabilizar.
Para a analista Priyanka Sachdeva, da corretora Phillip Nova, o Irã está ciente da importância geográfica do estreito e do dano que o petróleo mais caro pode causar.
Já o analista Hiroyuki Kikukawa, da Nissan Securities, projeta o WTI entre US$ 90 e US$ 100 o barril, avaliando que exportações russas podem conter a volatilidade.
Como o impasse chega ao Brasil?
O preço dos combustíveis no Brasil é calculado, em parte, pela paridade com o mercado internacional de petróleo, métrica acompanhada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em altas do Brent neste ano, a Petrobras já represou reajustes internos.
O impasse no Estreito de Ormuz já custou R$ 14,1 bilhões em subsídios a combustíveis desde setembro, somando dois pacotes anunciados pelo governo brasileiro. O estreito concentrava cerca de um quinto do comércio mundial de petróleo e GNL antes do conflito, iniciado em fevereiro.
O que acontece agora
As eleições legislativas dos EUA, apontadas pela Reuters como horizonte da pressão iraniana, acontecem em 3 de novembro. Até lá, o Centro Conjunto de Informações Marítimas, da Marinha dos EUA, mantém o nível de ameaça no estreito como severo.





























