O Brasil exportou 171 mil cabeças de gado vivo em agosto, o maior volume mensal da história, segundo dados da Secex. A receita somou R$ 1,26 bilhão, mais que o dobro do mesmo mês do ano passado, alta de 182,6%.

Pará liderou as exportações, com 112,6 mil cabeças, 65,9% do total nacional, quase quatro vezes o volume de agosto de 2025. Rio Grande do Sul respondeu por 23,6% e o Paraná por 6,7%.

Três países compraram quase 80% de tudo o que o Brasil exportou. Turquia, Marrocos e Iraque lideram a lista. O valor médio por animal chegou a cerca de R$ 7.400, 35% a mais que no mesmo mês do ano anterior.

Por que isso preocupa os frigoríficos?

O aumento das exportações de boi vivo intensifica a disputa por animais entre exportadores, recriadores, confinadores e frigoríficos. Isso pressiona principalmente o preço do boi de reposição, porque os animais embarcados costumam ser engordados ou usados para reprodução no exterior.

O preço do boi gordo já reflete parte dessa pressão. A arroba do boi avançou rumo aos R$ 380 mesmo em meses de exportação mais lenta para carne processada.

"Hoje, a maioria das indústrias está trabalhando no vermelho. O que vemos é uma preocupação generalizada", disse Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes).

Segundo Perosa, a queda nas compras da China, a incerteza no mercado europeu e o aumento da oferta de carne pressionam as margens dos frigoríficos no segundo semestre.

A cota de carne bovina do Brasil para a China já se esgotou neste ano, o que obriga o país a pagar sobretaxa para continuar exportando ao mercado chinês.

Cerca de 70% da carne bovina produzida no Brasil fica no mercado interno, segundo a Abiec. As exportações, porém, são essenciais para a lucratividade das empresas, porque pagam melhor por cortes específicos e ajudam a equilibrar o preço médio.

O que acontece agora

De janeiro a agosto, o Brasil já exportou 917,6 mil cabeças de gado vivo, 87,4% de tudo o que vendeu ao exterior em 2025 inteiro. A receita acumulada, de cerca de R$ 6,1 bilhões, já é maior que a de todo o ano passado.

A concentração em três compradores é um risco.

Uma restrição sanitária ou um conflito regional pode travar os embarques rapidamente.

A recuperação das margens dos frigoríficos depende da abertura de novos mercados e da normalização das vendas à China e à União Europeia, segundo a Abiec.