A eleição deste domingo (4) pode mudar a composição do Senado e a força política por trás dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas o resultado das urnas é só uma das variáveis que vão decidir o avanço do tema.

Para Lara Mesquita, cientista política da FGV-SP, o que acontecer a partir de 2027 não depende só de quantos senadores críticos ao STF forem eleitos. A presidência do Senado, o resultado da eleição presidencial e a reação do STF às críticas também entram na equação.

"Eu acho que a possibilidade de isso efetivamente acontecer vai depender de uma conjuntura na nova legislatura. Essa conjuntura depende de quem vai ser o presidente do Senado, de quem vai ser o presidente da República e das respostas que os ministros do Supremo apresentarem a essa insatisfação da sociedade", afirmou Mesquita no programa Mapa de Risco, do InfoMoney.

Por que o Senado virou prioridade na campanha?

A disputa pelo Senado ganhou protagonismo porque a Casa tem atribuições constitucionais específicas nos processos de responsabilização de ministros do STF. Setores da direita passaram a dar mais atenção à composição da Casa diante da intenção de avançar com pautas contra a Corte.

"A pauta do Senado se tornou central, a pauta do STF se tornou central na campanha do Senado", resumiu a professora.

Neste domingo (4), 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa, com cada estado e o Distrito Federal escolhendo dois representantes. Uma mudança na composição da Casa, porém, não significa automaticamente que um ministro será afastado.

Abrir processo é o mesmo que afastar um ministro?

Não. Mesquita chama atenção para a diferença entre autorizar a abertura de um processo e efetivamente aprovar o impeachment de um ministro. O resultado depende de informações reunidas e de apoio político suficiente ao longo da tramitação.

O caminho institucional também mudou. Em dezembro de 2025, o ministro Gilmar Mendes elevou de 41 para 54 votos o mínimo necessário no Senado para abrir e para concluir um processo de impeachment, o mesmo patamar exigido para emendas constitucionais.

Antes da decisão, bastava maioria simples, 41 votos, para abrir o processo e suspender o ministro do cargo. Gilmar também determinou que, mesmo com a tramitação aprovada, o ministro-alvo não é afastado nem tem o salário suspenso.

Desde a Proclamação da República, nenhum pedido de impeachment contra ministro do STF chegou a ser lido no plenário do Senado para votação. A oposição já defendeu reduzir para 49 assinaturas o requisito para abrir um desses processos.

O próprio Gilmar Mendes chamou promessas de impeachment de "equívoco eleitoral".

O que acontece agora

O Senado também aprovou, em comissão, um grupo de trabalho para discutir a reforma do Judiciário em até 60 dias. O resultado da eleição deste domingo deve pautar o ritmo dessas discussões na nova legislatura, que toma posse em fevereiro de 2027.